Estado da Nação: Direito de resposta do presidente da Câmara de Comércio de Barlavento

Cidade da Praia, 27 Jul  (Inforpress) – À laia do tem acontecido sempre por ocasião de sessões parlamentares relevantes, como é o caso do debate sobre o Estado da Nação, que hoje tem lugar, a Inforpress antecipou este momento procurando trazer à apreciação dos cabo-verdianos, várias entrevistas conseguidas junto dos diferentes quadrantes da sociedade civil, de modo a trazer a público o pulsar da Nação “extra parlamentar”.

Nessa linha de ideias, registou também, por telefone, a opinião do presidente da Câmara de Comércio de Barlavento, Belarmino Lucas, tendo a mesma sido divulgada na edição de quarta-feira, 25, sob o título – Estado da Nação: Presidente da Câmara de Comércio de Barlavento “desmotivado” com o debate desta sexta-feira.

O artigo da Inforpress foi, no entanto, contestado pelo entrevistado alegando algumas imprecisões nas afirmações que lhe são imputadas, exigindo, por isso, o direito de resposta, não obstante a rectificação introduzida pela redação central à peça reclamada.

Sendo assim e cumprindo o estipulado na Lei da Comunicação Social, a Inforpres edita a seguir o texto integral sob o título – Estado da Nação: Direito de resposta do presidente da Câmara de Comércio de Barlavento.

Contudo, a direcção da Inforpress aproveita para apresentar, uma vez mais, as suas desculpas ao entrevistado, Dr. Belarmino Lucas, por eventuais transtornos.

 

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S.Vicente, 26 de Julho de 2018

 

Exmos. Srs.,

Venho, por este meio, no exercício do Direito de Resposta conferido pelos artigos 18º e 19º da Lei da

Comunicação Social (Lei n.º 56/V/98, de 29 de Junho na redacção da Lei n.º 70/VII/2010, de 16 de Agosto), prestar os seguintes esclarecimentos no que respeita à notícia publicada pela INFORPRESS em 25 de Julho de 2018, que me atribui um conjunto de afirmações a propósito do Debate sobre o Estado da Nação, a ter lugar no Parlamento no próximo dia 27 de Julho de 2018.

Tendo  sido  contactado  por  telefone  pela  jornalista  da  INFORPRESS,  solicitando  o  meu  pronunciamento  a propósito  do  citado  debate  sobre  o  estado  da  Nação,  comecei  por,  desde  logo,  manifestar-lhe  a  minha indiferença  relativamente  a  esse  debate  porque,  e  reitero  essa  opinião  que  tenho  repetido  em  muitas intervenções  públicas  desde  há  vários  anos,  considero  tratar-se  de  um  mero  exercício  de  debate  político parlamentar que nada acrescenta à vida do país, em termos económicos e empresariais.

A esse propósito, no entanto, não me manifestei “indignado e desmotivando (sic)”, com coisa alguma nem com ninguém, pois, indiferença, que confirmo, é um sentimento que está nos antípodas da indignação. Por outro lado, indiferença não se confunde com desmotivação, que não manifestei, em momento algum, à jornalista.

Por outro lado, sou citado a referir-me à situação do país, como “muito mau” (sic), apreciação que não fiz em momento algum à dita jornalista, conforme a mesma pode conferir da gravação que fez (confirmou-me por telefone que gravou) da nossa breve conversa.  Sou, como quem me conhece sabe e penso que as minhas intervenções públicas o têm demonstrado, muito mais consequente e elaborado no meu discurso e nas minhas apreciações, pelo que jamais me quedaria por uma apreciação tão básica de uma realidade tão complexa como a situação do país.

O que disse à jornalista (e reafirmo) é que persistem muitos dos constrangimentos que há muito tempo afectam a nossa economia e o sector privado, em particular, e que as medidas que o Governo tem tomado nesse aspecto ainda não surtiram o efeito desejado, pelo que  espero que as medidas previstas sejam implementadas e as que já foram implementadas possam surtir o efeito pretendido.

De resto, remeti a jornalista para as minhas anteriores declarações públicas sobre essa matéria, nomeadamente, entrevista recentemente publicada no jornal “Expresso das Ilhas” onde faço uma análise circunstanciada de diversos aspectos da economia do país.

As atrás referidas apreciações, que aparecem no texto da notícia como se fossem citações minhas, mais não são do que conclusões da própria jornalista relativamente às minhas palavras, que estão documentadas em áudio, pelo que são da inteira responsabilidade da  mesma, não reflectindo, de  forma alguma,  a  minha posição pessoal nem da agremiação empresarial que represento.

Estou habituado à crítica frontal, fundamentada e responsável sempre que entenda que o deva fazer em defesa dos interesses da classe empresarial que represento, ou mesmo como simples cidadão, pelo que não aceito que se ponha em causa essa minha postura por causa de uma notícia incorrecta, não rigorosa, de uma agência noticiosa que fornece informação aos demais órgãos de comunicação social.

Solicito, assim, nos termos da lei, a publicação deste esclarecimento com o mesmo destaque da notícia a que diz respeito.

Melhores cumprimentos,

Belarmino Lucas

/Presidente da Direcção da Câmara de Comércio de Barlavento/