Educação é a chave para a inclusão social e para o combate à desigualdade – considera Lígia Fonseca

 

Cidade da Praia, 05 Fev (Inforpress) – A Primeira Dama, Lígia Fonseca considerou hoje na abertura de uma acção de capacitação para técnicos que trabalham com pessoas com deficiência, que a educação é a chave para a inclusão social e para o combate à desigualdade.

Lígia Fonseca fez essas considerações ao introduzir nesse encontro, a temática “inclusão e os direitos das pessoas com deficiência”, tendo realçado, a esse propósito, que um ensino de qualidade e de inclusão deve ter em conta “todos” e não deixar “ninguém para trás”, por forma a cumprir os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

“Precisamos pôr isso na pártica para que a inclusão seja real e não meras palavras. Não podemos deixar ninguém para trás, pois, não há sociedades desenvolvidas se continuemos com crianças que ficam fechadas em casa porque têm uma deficiência, ou porque a mãe não poderá trabalhar para ficar em casa para cuidar dessa criança”, realçou.

Ao intervir também no acto inaugural, a presidente da Associação de Pais e Amigos de Crianças com Necessidades Especiais (Colmeia), Isabel Moniz sublinhou que esta acção de capacitação “é mais um trabalho em prol da inclusão das crianças com deficiência”.

“Nós estamos a começar agora, e para um melhor trabalho, temos de organizar e ter uma capacitação interna no sentido de melhorar as respostas. Todas as acções que a Colmeia vai desencadear deverão ser articuladas com instituições, no sentido de trabalharmos as respostas numa só direcção”, frisou.

Isabel Moniz apelou no sentido de haver uma “maior humanização” do Instituto Nacional de Providencia Social (INPS) que possa contribuir para o pagamento de outros serviços de terapia para crianças com deficiência, visto que a instituição só comparticipa para 50 sessões de fisioterapia durante o ano.

Conforme realçou, as terapias de fonoaudiológia e ocupacionais não são comparticipadas pelo INPS, “e isso torna difícil obter respostas nestes dois domínios”, indicou.

Por sua vez, a representante residente adjunta do Sistema das Nações Unidas em Cabo Verde, Ilaria Carnevali, defendeu a necessidade de se juntar as mães para uma causa tão importante como a das crianças com necessidades especiais, no sistema educativo.

“Temos muitos instrumentos que nos dizem que, neste país, a questão da inclusão, da igualdade e dos direitos da criança é fundamental e que não devemos convencer ninguém quanto a isso. O problema é que a inclusão tem de ser operacionalizada”, enfatizou.

Segundo Ilaria Carnevali, a operacionalização da inclusão é muito desafiante, pois, necessita de capacidade específica, investimentos e soluções muito diferenciados para diferentes tipos de pessoas.

A representante residente adjunta do Sistema das Nações Unidas em Cabo Verde, felicitou ainda a Colmeia por mais esta acção em prol das crianças com deficiência, lembrando que a mesma visa melhorar as competências dos técnicos que lidam directa ou indiretamente com a temática.

A formação em apreço, ministrada por uma especialista em educação especial e na comunicação alternativa, com larga experiência na matéria e na formação dos professores em Portugal, vai incidir sobre os conceitos teóricos e estratégicos, que serão depois transmitidos aos professores que lidam com os alunos.

A acção de capacitação de três dias, que decorre na Cidade da Praia, é fruto de uma parceria entre a Colmeia e o Instituto Politécnico de Leiria (Portugal).

Entretanto, no âmbito ainda da inauguração deste curso, a presidente da Colmeia, das mãos da Primeira Dama, um cheque no valor de 661.590$00 para apoiar famílias de crianças com deficiência no pagamento das consultas e deslocações.

Na ocasião, Lígia Fonseca explicou aos jornalistas que o montante oferecido é fruto de um apoio arrecadado num jantar de beneficência, realizado em Lisboa, em parceria com a esposa do embaixador de Cabo Verde em Portugal, para ajudar as famílias de crianças com deficiência.

“Nós sabemos que o nosso sistema de segurança social ainda não cobre todas as respostas necessárias para as crianças com necessidades especificas, apesar de este existir no mercado. Tudo isto exige meios financeiros e esta é a nossa contribuição”, disse.

Emocionada com o gesto, a presidente da Colmeia, Isabel Moniz regozijou-se com mais este apoio da Primeira Dama, e informou que o destino do cheque vai ser o apoio às famílias no pagamento das consultas e aquisição de uma viatura para suas deslocações.

Segundo Isabel Moniz, parte desse montante será ainda utilizado na realização de actividades em zonas mais distantes da Cidade da Praia, garantindo deslocações de especialistas para atendimento no local de residência das crianças que necessitam desse serviço.

A Colmeia é uma associação que trabalha com famílias que lidam com patologias de dificuldades específicas de aprendizagem (dislexia, disgrafia, discalculia, transtornos especifico de linguagem), deficiências sensoriais (auditiva e visual), deficiências intelectuais (síndrome de Down), Aatas habilidades intelectuais e sobredotados; transtorno por deficit de atenção com ou sem hiperactividade (TDAH); deficiência física- motora, paralisia cerebral, transtornos de espectro autista (TEA), transtorno global de desenvolvimento, deficiência múltipla e microcefalia.

PC/FP

Inforpress/Fim