Edil exorta maior envolvimento dos tarrafalenses no processo de candidatura do ex-Campo de Concentração a Património da Humanidade

Cidade da Praia, 13 Jul (Inforpress) – O presidente da Câmara Municipal do Tarrafal de Santiago, José Pedro Soares, exortou hoje no sentido de um maior envolvimento dos tarrafalenses no processo de candidatura do ex-campo de concentração do Tarrafal a Património da Humanidade.

José Pedro Soares que falava em entrevista à Inforpress explicou que o objectivo é, sobretudo, aproveitar o testemunho de pessoas que trabalharam no ex-campo de concentração, desde guardas e cozinheiros que ainda estão vivos e que poderão dar um contributo valioso para “resgatar o passado”.

“São testemunhas vivas que devem ser aproveitadas. São pessoas que estão ou foram ouvidas pontualmente. Mas queremos que esse envolvimento seja muito mais activo, muito mais substancial”, disse

“A Câmara Municipal, os munícipes e a sociedade civil devem também fazer parte desse projecto e devem estar cada vez mais envolvidos porque nós todos sairemos a ganhar”, acrescentou

José Pedro Soares adianta que neste momento a edilidade garante salários a dois técnicos superiores que prestam serviços naquele património cultura nacional, sob a gestão do Instituto de Património Cultural (IPC) e afirma que a edilidade está na disposição de tudo fazer para que o mesmo seja reconhecido Património da Humanidade pela UNESCO.

E no momento em que se fala na possibilidade dessa candidatura ser abraçada pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) avançou que na qualidade de autarca tem solicitado apoios de instituições e individualidades que poderão ter influência nesse processo.

“Pelo seu passado, pela sua história, pelas pessoas que passaram por lá, creio que temos requisitos básicos e se compararmos a outros monumentos que foram classificados como património da humanidade, creio que o ex-campo de concentração do Tarrafal, bairrismo à parte, não fica a dever nada a outros monumentos”, salientou demostrando-se esperançoso quanto ao título.

Para já, adiantou que a Câmara Municipal do Tarrafal vai assinar com o IPC um protocolo de colaboração a nível da gestão e manutenção e preservação, garantindo que autarquia enquanto entidade máxima do concelho, possa participar também na gestão desse património que se quer da humanidade.

“Não faz sentido que em todo esse processo a edilidade fique de fora. Aliás nós sempre reivindicamos há já algum tempo a nossa participação no centro. Portanto que haja uma gestão partilhada. Em parte, estamos a conseguir e espero que com a qualificação a câmara venha a ter alguma voz na gestão do monumento”, augurou.

Neste momento, o espaço vem recebendo obras de beneficiação e a perspectiva do Governo é que o processo de candidatura esteja concluído para sua apresentação à UNESCO em 2019.

José Pedro Soares, não tem dúvidas de que a sua elevação à categoria de Património da Humanidade será uma grande mais valia para o seu município, que, afiançou, tem apostado fortemente o seu desenvolvimento no sector do turismo.

“O nosso município, a região norte da ilha de Santiago, a ilha e o país só têm a ganhar com a aceitação da UNESCO do ex-campo de concentração como património da humanidade”, sublinhou.

O campo de concentração do Tarrafal, foi originalmente concebido para albergar os presos antifascista portugueses e posteriormente presos anticolonialista da África portuguesa, designadamente da Angola, Guiné Bissau e Cabo Verde.

Foi “libertado” em 1974 com o corolário da luta daqueles para os quais o campo foi construído. Em 2006 por meio de uma resolução do Governo, foi classificado património cultural nacional.

MJB/FP

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