Directora Regional da OMS realça o facto de Cabo Verde poder eliminar o paludismo até 2020

Cidade da Praia, 25 Abr (Inforpress) – A directora Regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a África, Matshidiso Moeti, realçou o facto de Cabo Verde poder eliminar o paludismo até 2020, juntamente com mais cinco países da região.

Na sua mensagem sobre o Dia Mundial de Luta Contra o Paludismo 2018 que se assinala esta quinta-feira, 25 de Abril, disse que o lema deste ano, “Prontos para vencer o paludismo”, realça a necessidade de acelerar os esforços para derrotar a doença, lembrando que os países comprometeram-se a acabar com a epidemia até 2030 como um dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Segundo ela, muitos países não estão no caminho certo para alcançar as metas da Estratégia Técnica Mundial para o Paludismo 2016-2030 e o ritmo dos progressos “decresceu ou parou,” com “lacunas significativas” na implementação de medidas para prevenir o paludismo, assim como o financiamento internacional e doméstico para a prevenção e controlo do paludismo estagnou.

No entanto, Matshidiso Moeti frisou que as tendências gerais mostram que entre 2010 e 2016 os novos casos estimados de paludismo na região africana caíram 20% e as mortes devido ao paludismo decresceram 37%.

“Cinco países na região (Etiópia, Gâmbia, Madagáscar, Senegal e Zimbabwe) estão entre os 16 a nível mundial em que se verificou um decréscimo nos casos e nas mortes devido ao paludismo em mais de 20% em 2015 e 2016. Para além disso, seis outros países na Região (Argélia, África do Sul, Botsuana, Cabo Verde, Comores e Suazilândia) podem porventura eliminar o paludismo até 2020”, notou.

Os países na região africana também registaram o maior aumento de testes do paludismo no sector público, de 36% de casos suspeitos em 2010 para 87% em 2016, conforme a responsável que lembrou que a doença permanece como um dos principais desafios de saúde pública e do desenvolvimento.

O Relatório Mundial sobre o Paludismo de 2017 documenta um aumento nos casos de paludismo em 2016, comparado com 2015, sendo que na região africana ocorreram 194 milhões de novos casos e 410 mil mortes em 2016, assim como 14 países com o maior problema de paludismo em todo o mundo estão na África Subsariana, ou seja, 80% a nível mundial.

Para a directora Regional da OMS para a África, a eliminação do paludismo requer, acima de tudo, “uma liderança política do mais alto nível”, assim como uma liderança nos programas, na mobilização de recursos e na colaboração intersectorial e transfronteiriça, como forma de acelerar o ritmo para se alcançar uma redução de 40% nos casos e nas mortes mundiais devido ao paludismo até 2020, comparado com os níveis de 2015

“O Dia Mundial de Luta Contra o Paludismo é uma ocasião para renovarmos o compromisso político e para continuarmos a investir na prevenção e no controlo do paludismo. Apelo aos países afectados pelo paludismo a trabalharem com os parceiros de desenvolvimento para aumentarem os investimentos na prevenção e no controlo do paludismo, especialmente em novos instrumentos de luta contra o paludismo”, exortou.

Para ela, tal estratégia irá impulsionar os países a caminho da eliminação e irá contribuir para a consecução dos outros ODS, como a melhoria da saúde materna e infantil, por isso, considerou que com os recursos necessários, uma “forte” coordenação e parceiros “dedicados”, é possível acelerar as acções para se alcançar uma “África livre do paludismo”.

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