Directora nacional de Saúde sublinha importância do reforço das capacidades para prevenir urgências da saúde pública

 

Cidade da Praia, 29 Jun (Inforpress) – A directora nacional de Saúde, Maria da Luz, realçou hoje na Cidade da Praia, a importância do reforço das capacidades para prevenir e preparar as urgências da saúde pública em Cabo Verde.

Na sua intervenção no atelier de avaliação dos riscos em saúde pública, realizado em parceria com a Organização Mundial de Saúde (OMS), Maria da Luz disse que Cabo Verde como um país insular exposto e vulnerável a condições meteorológicas extremas e riscos de desastres, precisa de reforçar as suas capacidades para prevenir desse fenómeno.

Segundo Maria da Luz, o arquipélago está exposto as inundações, as secas, aos deslizamentos de terra, aos incêndios, a erosão costeira, aos tremores de terra e a erupção vulcânica.

“Esses fenómenos podem causar, de forma recorrente, a degradação rápida dos diferentes ecossistemas essenciais para o desenvolvimento humano sustentável e também são responsáveis por efeitos negativos em sectores básicos para vida humana como abastecimento de água e energia e na saúde a curto, medio, longo prazo”, salientou.

Além dos riscos naturais, Maria da Luz referiu também sobre as epidemias que têm assolado o país desafiando e testando o sistema nacional da saúde e a vigilância sanitária.

A directora nacional de Saúde sublinhou que o processo de avaliação dos riscos em saúde pública constitui uma “ferramenta fundamental” e de subsídios nos processos de decisão, do planeamento, do controlo, da prevenção da exposição da população e indivíduos aos agentes perigosos à saúde presentes no meio ambiente.

Sendo a gestão dos riscos em saúde pública um processo abrangente em termos de envolvência, defendeu que todos os actores devem estar envolvidos, nomeadamente o Serviço Nacional da Protecção Civil e Bombeiros, o Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica e outras estruturas do país.

“O sector da saúde precisa dotar-se de uma visão estratégica, definir os princípios orientadores e ter o enfoque integrado para redução dos riscos directamente relacionados com a saúde e que abrange a mitigação do risco, a prevenção, a preparação de respostas adequadas e céleres e a recuperação pós desastre como elementos essenciais no ciclo de gestão de riscos”, defendeu Maria da Luz.

Durante a sua intervenção, a directora nacional de Saúde informou os participantes que a “task-force” multissectorial já tem quase finalizado a estratégia nacional de redução de riscos de desastres que constitui “um documento chapéu” nesta matéria.

Para Maria da Luz as especificidades no sector da saúde em várias situações e eventos que constituem riscos para a saúde pública requer “uma avaliação cuidadosa”, tendo como pano de fundo a resiliência e a efectividade do sistema nacional de saúde.

“É fundamental o estabelecimento um sistema nacional de vigilância da saúde pública que passa, obrigatoriamente, por vários processos para a envolvência de todos os parceiros, sobretudo por uma comunicação de risco”, sublinhou.

O representante da OMS em Cabo Verde, Mariano Castellon, por sua vez, sublinhou a importância do ateliê e disse que pela característica morfológica de Cabo Verde colocam-se “desafios muitos importantes e sensíveis” no momento de responder a uma emergência de desastre natural ou sanitária.

A epidemia da dengue e a erupção vulcânica na ilha do Fogo são alguns dos exemplos citados pelo representante da OMS, que defendeu, igualmente, a necessidade de se reforçar as capacidades para prevenir e preparar as urgências da saúde pública.

Mariano Castellon congratulou-se com a realização deste ateliê, informando que a iniciativa está a ser promovida num momento em que o Conselho de Ministros, provavelmente, vai aprovar a estratégia nacional da redução de riscos de desastres em Cabo Verde.

JL/CP

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