Director do Programa Nacional de Saúde Mental chama a atenção para o aumento de casos de depressão no país

 

Cidade da Praia, 07 Abr (Inforpress) – O director do Programa Nacional de Saúde Mental afirmou hoje que a depressão é um transtorno mental frequente cuja tendência é para aumento de número de casos no país, tendo em consideração a incidência do suicídio no arquipélago.

O psiquiatra Aristides da Luz, que falava à Inforpress no âmbito do Dia Mundial da Saúde, 07, que este ano se assinala sob o signo “Depressão: Vamos Conversar”, disse ainda que a falta de apoio às pessoas que vivem com transtornos mentais, somado ao medo e ao estigma, impedem a que muitos não procurem o tratamento que necessitam para uma “vida saudável”.

Por isso, sublinha, o Ministério da Saúde associando-se à Organização Mundial da Saúde (OMS), deu início a uma campanha sobre a depressão, transtorno que pode afectar pessoas de qualquer idade e em qualquer etapa da vida.

“A iniciativa conversar abertamente sobre a depressão é o primeiro passo para entender melhor o assunto e reduzir o estigma associado a ele, assim como para reforçar que existem formas de prevenir a depressão e de tratá-la”, realça.

A depressão, salienta o médico e responsável pelo Programa Nacional de Saúde Mental, não discrimina e pode afectar pessoas de todas as idades.

Em Cabo Verde, adverte, a tendência é para o aumento de números de casos de depressão, não só pelo que os médicos vêm constatando na sua prática diária, mas, também, pelo aumento da incidência do suicídio no país.

Mesmo ainda sendo considerada um tabu na sociedade, justamente pelo estigma que a acompanha, até a depressão mais grave pode ser superada com tratamento apropriado, lembrou Aristides da Luz.

“O primeiro passo para receber tratamento é falar. O diagnostico é clínico, dai que é fácil desde que o profissional esteja habilitado para o fazer, assim como o tratamento, pois, existem vários medicamentos e profissionais da Psicologia para tratar da doença”, disse.

A depressão, explica o médico, resulta de uma complexa interacção de factores sociais, psicológicos e biológicos que têm a ver o desemprego, luto, trauma psicológico, violência, entre outros.

Por isso, defende, que prevenir a depressão é actuar em todos os factores que podem levar a mais stress e disfunção, e piorar a situação de vida da pessoa afectada e o transtorno em si.

Questionado sobre os dados, as causas da depressão no arquipélago e a faixa etária mais atingida, Aristides da Luz avançou que os dados estatísticos precisos sobre a matéria não existem, apesar de saber que o relatório da OMS refere sobre 4,9% de população cabo-verdiana sofre de depressão.

Já no que se refere às causas e faixa etária, o psiquiatra , mesmo sem dados sobre a matéria, disse pelo que tem apercebido os “problemas sociais” são as razões de aumento de depressão em Cabo Verde, enquanto que o grupo mais atingido é a juventude, os idosos e mulheres no pós-parto.

Um indivíduo com um episódio depressivo, explica o responsável pelo Programa Nacional de Saúde Mental, tem sintomas que indicam mudança de rotina com período de tristeza, isolamento social, dificuldade em ir trabalhar e de fazer os trabalhos de rotina em casa, ansiedade, distúrbios do sono e de apetite e podem ter sentimentos de culpa ou baixa auto-estima e falta de concentração.

“Tendo estes sintomas o indivíduo pode procurar ajuda médica, que fará a avaliação e indicar tratamento psicológicos, terapia cognitivo-comportamental ou medicamentos”, frisa.

Para assinalar o Dia Mundial da Saúde, está prevista para hoje, no palácio do governo, a realização de um Fórum sobre o tema “Depressão: Vamos Conversar”, onde serão debatidas questões como “Depressão na Infância e na Adolescência”, “Depressão no Idoso” e “Depressão versus Problemas Sociais”.

A nível do país, as delegacias de saúde irão desenvolver actividades comunitárias, chamando a atenção para a questão da depressão.

Em Cabo Verde, segundo relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), publicado em Fevereiro de 2017, a depressão atinge 4,9% da população, o correspondente a 24. 240 cidadãos.

Já os transtornos relacionados com a ansiedade afectam 3,1% (15. 175) das pessoas que vivem no nosso país, aponta o relatório.

A nível mundial, segundo a OMS, o número de pessoas que vivem com a depressão aumentou de mais de 18% entre 2005 e 2015, sendo que dos 322 milhões de pessoas que vivem com esse transtorno mental no mundo a prevalência é maior entre as mulheres (5.1%).

PC/JMV

Inforpress/Fim