Director das Aldeias SOS quer que novo ano lectivo seja “um marco” para acabar com meninos de rua em São Vicente

Mindelo, 04 Set (Inforpress) – O director Nacional das Aldeias SOS acredita que o início do novo ano lectivo pode constituir “um marco” para acabar com a situação de meninos de rua no Mindelo, que deverá contar com o “engajamento” de várias instituições.

Dionísio Pereira, que falava à imprensa na decorrência da jornada de reflexão sobre crianças em situação de rua, admitiu essa realidade “se todas as instituições com capacidade de acolhimento abrirem as portas” e também com o “reforço dos recursos humanos” como solicitado à ministra da Família e da Inclusão Social, Maritza Rosabal, também presente no fórum.

“Acreditamos que o arranque do novo ano lectivo poderá constituir um marco que ficará seguramente para a história”, lançou este responsável para quem isso mostra-se possível se todas as instituições assumirem e cumprirem “plenamente com os engajamentos”. “Não teremos razões para continuar a falar da situação de meninos de rua em São Vicente”, acrescentou.

A situação, segundo a mesma fonte, “está insustentável”, na medida em que os dados apresentados no fórum mostram um “gráfico crescente”. Algo que, no seu entender”, pode ser “perfeitamente combatido”, uma vez que já existe o mapeamento das crianças, das famílias, de onde provêm, os contactos e qual a quantidade por zona.

“Portanto, estamos a falar com conhecimento de causa que foi apresentado a todas as entidades”, garantiu Dionísio que relembrou que “os meninos não escolheram essa situação”, mas com a violação dos seus direitos nos seus lares optaram pela vida de rua “com todos os riscos existentes”.

“Nós temos que honrar os nossos compromissos e assumir as nossas responsabilidades”.

Neste sentido, a sociedade, os poderes local e central têm que fazer a sua parte, uma vez que, ajuntou, já se gastou “muito dinheiro em consultorias”.

“Precisamos dar um basta. Há mais técnicos sociais em São Vicente a trabalhar com a questão de meninos de rua, do que a quantidade de meninos de rua”, criticou o responsável das Aldeias SOS que disse não compreender essa situação que “entra ano, sai ano, continua na mesma conversa”.

No tocante às famílias, segundo a mesma fonte, vai-se apostar na componente da “abordagem preventiva”, para dar continuidade ao programa de reforço às famílias, neste momento paralisado, a fim de permitir que “estas possam honrar os seus compromissos e assumir as responsabilidades parentais”.

“Há muitas famílias que exigimos, mas não sabem como fazer. É preciso educá-las”, salientou Dionísio Pereira que se referiu à Escola da Família do Centro Social das Aldeias SOS em São Vicente que entrará “em funcionamento nos próximos meses”.

As Aldeias SOS, conforme o director Nacional, de meados de Junho a esta parte, tiraram da rua “quase a totalidade de meninos de rua, sem ter a intervenção de outras instituições”.

“Isto é prova de que há possibilidades de podermos passar os outros que não conseguimos abranger para outras organizações e acabar com o fenómeno”, concretizou o responsável que conta alcançar este propósito, inclusive, com a terceira edição da campanha “Criança Não é de Rua”, lançada hoje com apoio do Ministério de Educação, Família e Inclusão Social e que, no seu entender, trará “mais trabalho prático e menos conversa”.

LN/ZS

Inforpress/Fim