Dia Mundial do Ambiente: Plásticos continuam a representar 30% do volume dos resíduos nas lixeiras

Cidade da Praia, 05 Jun (Inforpress) – Trinta por cento dos resíduos que entram nas lixeiras são plásticos, revelou o director nacional do Ambiente, lembrando que o tema escolhido este ano para assinalar o Dia Mundial do Ambiente, desperta a atenção exactamente para a redução do uso do plástico.

Em declarações à Inforpress a propósito da efeméride que este ano é assinalada sob o lema   “Acabe com a poluição plástica”, Alexandre Nevsky Rodrigues disse que Cabo Verde tem uma lei que entrou em vigor em Janeiro de 2017 e que proíbe o uso de sacos de plásticos convencionais, como forma de incentivar o uso de embalagens biodegradáveis e proteger o ambiente.

“O plástico representa nas nossas lixeiras quase 30% do volume dos resíduos (…) e a legislação não cobre todos os plásticos, mas foca principalmente na questão das bolsas de plásticos para transporte das compras”, disse, esclarecendo que a fiscalização tem sido feita através de visitas aos estabelecimentos comerciais, incidindo também no controlo à importação que só é autorizada quando se trata de material biodegradável.

Segundo o responsável, a Direcção Nacional do Ambiente tem-se deparado com alguma dificuldade nas fiscalizações, mas admite que ainda se está na fase da pedagogia, razão por que a prioridade, neste momento, passa pela informação.

Garante, no entanto, que a “grande maioria dos serviços comerciais está a cumprir a legislação”, assim como a população tem estado a agir de forma diferente.

Além da questão dos sacos de plástico, Alexandre Nevsky Rodrigues realçou que o país tem problemas também com as garrafas de plástico (pet) que, todavia, começam a ter alternativas, uma vez que em Cabo Verde já existe uma empresa que tem feito a recolha das mesmas para enviar para a reciclagem, sendo que o próximo passo poderá resultar na realização dessa reciclagem mesmo no arquipélago.

A taxa ecológica, conforme explicou, vai ajudar os municípios a fazer melhor gestão desses resíduos, juntamente com as várias iniciativas que estão em curso para ajudar a combater esta problemática, estando, no entanto, ciente de que é algo que não se resolve de um momento para o outro, “mas que é possível vencer”.

Alexandre Nevsky Rodrigues observou que, de uma forma geral, “o país tem seis grandes temas que ainda considera serem desafiadores”, ou seja, a exploração excessiva dos recursos naturais, a destruição de habitats terrestres e marinhos, a introdução de espécies exóticas, a deficiência na gestão organizacional e aplicabilidade da legislação, a deficiência na gestão da água e a deficiência na gestão dos resíduos sólidos.

“Todas as legislações ambientais incluem a fiscalização que está relacionada com a própria estrutura organizacional, por isso, um dos desafios é combater a deficiência na gestão organizacional e a aplicabilidade da legislação, porque é preciso haver sinergias entre as várias instituições e ter a questão da fiscalização a desembocar numa só entidade com capacidade de mobilizar recursos e fazer cumprir a legislação”, sustentou.

No concernente à gestão dos resíduos sólidos, o director nacional do ambiente acredita que já existem condições básicas para melhorar a gestão, que não é da responsabilidade única do Governo ou dos municípios, lembrando que a educação e a sensibilização são importantes para se poder passar às fases seguintes que são a recolha selectiva e a reciclagem.

Entretanto, Alexandre Nevsky Rodrigues ressaltou que para haver uma boa gestão da água, a aposta deve ser na economia circular da água, isto é, não desperdiçar o que se consome, apostando nas estações de tratamento de água cada vez mais modernas, asseverando ainda que é necessário poupar este líquido que o país não tem.

O tema apresentado este ano pelas Nações Unidas, “Acabe com a poluição plástica” para o Dia Mundial do Ambiente pretende chamar a atenção dos governos, do sector privado, das comunidades e dos indivíduos para se reduzir a produção e o consumo excessivo de produtos plásticos descartáveis que contaminam os oceanos, prejudicam a vida marinha e afectam a saúde humana.

O Dia Mundial do Meio Ambiente foi criado pela Assembleia Geral das Nações Unidas através da resolução (XXVII) de 15 de Dezembro de 1972. Foi com ela que se abriu a Conferência de Estocolmo, na Suécia, cujo tema central foi o Ambiente Humano.

O objectivo da efeméride é assinalar acções positivas de protecção e preservação do ambiente e alertar as populações e os governos para a necessidade de se salvar o ambiente.

Foi na década de 1970 que começou a crescer o interesse pelas questões ambientais, surgindo então o conceito de desenvolvimento sustentável.

DR/FP

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