Crianças desaparecidas: PR quer canal de comunicação entre autoridades judicias e familiares

Cidade da Praia, 25 Mai (Inforpress) – O Presidente da República defendeu hoje a criação de um canal de comunicação das autoridades judiciais junto dos familiares das pessoas desaparecidas, de forma a minimizar as suas preocupações e, ao mesmo tempo, os tranquilizar.

O Chefe de Estado fez estas considerações no seguimento da audiência com a representante da Associação das Crianças Desfavorecidas (ACRIDES) Cármen Ariana, que se fez acompanhar de um grupo de estudantes que se manifestou a sua preocupação pela “falta de informações” sobre o despercebimento das crianças na Cidade da Praia.

“Somos um país pequeno, uma ilha. Se uma pessoa desaparecer, ou está no país ou saiu por via aérea ou marítima”, afirmou Jorge Fonseca, sublinhando a necessidade de o país adquirir meios e adaptar-se às metodologias do trabalho de prevenção, de forma que o desaparecimento de pessoas possa ser investigado por todos os meios disponíveis

O Presidente da República considera que o caso de desaparecimento de pessoas, sobretudo de crianças, talvez não seja “um fenómeno novo em Cabo Verde”, mas admitiu “tem estado a adquirir uma dimensão preocupante nos últimos tempos”, alertando por isso às autoridades, no sentido de tomarem “medidas preventivas”, para evitar casos do género.

Jorge Carlos Fonseca considera natural que os familiares se mostrem “angustiados, frustrados, tensos e intranquilos, seja adulto, adolescentes, jovens” ou principalmente crianças, porque, destacou,  “as pessoas esperam por respostas concretas, imediatas e positivas”.

O PR considerou que um canal de comunicação pode ser positivo e bom, tendo manifestado a sua satisfação pelo facto de as autoridades judiciais tenham recorrido à cooperação das autoridades estrangeiras para solucionar o problema.

Alegou que ficou “menos preocupado” com a criação de uma equipa especializada e que usa todos os meios disponíveis, mediante a articulação de meios externos, se necessário for, para dar respostas a esses fenómenos.

“O procurador-geral da República tinha mesmo dado ideias de algumas pistas que poderiam nos trazer algum optimismo. Entendemos que numa investigação deste tipo, as autoridades não podem estar sistematicamente a informar”, explica, acrescentando que a investigação exige cautela para evitar que alguns pormenores dificultem os trabalhos de averiguações.

SR/JMV

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