CPI/TACV: Antigo PCA Alfredo de Carvalho pouco se lembra dos detalhes da sua gestão

 

Cidade da Praia, 16 Nov (Inforpress) – O antigo presidente do conselho de administração dos TACV Alfredo de Carvalho respondeu hoje às questões na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sem aprofundar alguns assuntos já que, asseverou, pouco se lembrava de detalhes da sua gestão.

Alfredo de Carvalho, que esteve à frente dos Transportes Aéreos de Cabo Verde (TACV) entre 1991 a 2000, foi o primeiro a ser ouvido nas audições parlamentares no âmbito da CPI sobre a companhia nacional, prestando declarações sobre factos relativos aos actos de gestão da empresa, bem como o funcionamento dos órgãos sociais e a aprovação das decisões de gestão.

“O melhor resultado que eu e a minha equipa tivemos durante o nosso tempo de gestão foi melhorar o serviço da empresa”, afirmou Alfredo de Carvalho, explicando que o “o grande problema” dos TACV na altura tinha a ver com a frota e que os resultados foram melhores depois de a terem renovado.

Essa renovação constitui na venda dos três aviões existentes e aquisição de ATR e Boeing, através de “leasing financeira” com opção de compra, frisando que essas aquisições foram feitas “sem garantias do Governo”, mas que permitiu à empresa abrir-se para rotas internacionais e consolidar-se nas rotas domésticas.

No entanto, uma outra informação partilhada por Alfredo de Carvalho foi o facto de os TACV ter perdido uma “grande e única” oportunidade de adquirir a Air Senegal entre 1998 e 1999, quando foi posta à venda.

Conforme ele, a companhia nacional, com mais dois investidores, apresentou uma proposta em que os TACV entravam com a gestão e ficava com 33% da empresa e os dois investidores com o dinheiro, mas que por razões várias, tal negócio não se concretizou.

Sobre os passivos e activos da empresa o gestor escusou-se a responder, o mesmo em relação ao capital da companhia, já que, segundo ele, “muitos pormenores” sobre o que aconteceu durante a sua gestão lhe “escapava”, por causa do tempo.

Entretanto, em declarações à imprensa no final da audição, o presidente da CPI, o deputado do Movimento para a Democracia (MpD-no poder) Emanuel Barbosa, considerou que a audição “começou bem” e que tiveram uma colaboração “bastante óptima” de Alfredo de Carvalho.

No seu entender, ele esclareceu “todas as questões” colocadas pelos deputados, pensando que a CPI está “num bom caminho” para esclarecer sobre os actos de gestão dos TACV, sublinhando que os dados que Alfredo de Carvalho não se recorda são “detalhes” que estão nos relatórios de contas e outros documentos da empresa.

 

O inquérito da CPI abrange, entre outros assuntos, os actos de gestão de 1975 até à presente data, os avais prestados pelo Governo a favor dos TACV, todas as aquisições e alienações de activos e áreas de negócios, bem como o passivo e as contas da empresa.

A referida CPI foi criada pela Resolução n.º 48/IX/2017 de 11 de Julho de 2017, rectificada pelo BO n.º 41, de 20 de Julho de 2017, para averiguar os actos de gestão dos TACV, sendo que hoje também foi ouvido o antigo PCA Daniel Livramento.

Para esta sexta-feira, 17, está na agenda a audição dos antigos secretário de Estado dos Transportes e Comunicações, António dos Santos, às 09:00, e Manuel Casimiro de Jesus Chantre; às 15:00.

DR/ZS

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