CPI: MpD acusa PAICV de cometer crime com a TACV e promete ir até às últimas para clarificar a “calamitosa situação da empresa”

Cidade da Praia, 29 Jun. (Inforpress) – O MpD considera que o PAICV cometeu um crime com a TACV e promete ir até “às últimas consequências e clarificar a “calamitosa situação” da empresa a custar ao Estado cabo-verdiano três milhões de contos por ano”.

O deputado do Movimento para a Democracia (MpD – no poder), Luís Carlos Silva, refuta as declarações do deputado do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição), José Sanches, de que o relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a TACV, aprovado quarta-feira no parlamento, afigura-se como mais uma “falácia e retórica” do MpD.

Membro da CPI, o parlamentar Luís Carlos Silva justificou, em conferência de imprensa realizada esta tarde, o posicionamento do maior partido da oposição “como resultado da sua derrota no debate, mas também pela pressão que os elementos da CPI pertencentes ao PAICV sofreram”.

Luís Carlos Silva avança mesmo que o relatório da CPI vai dar entrada na procuradoria para que se possa apurar responsabilidades, de modo que os responsáveis sejam chamados a responder em tribunal.

Acusa o PAICV de tentar desviar o debate para descredibilizar e silenciar o relatório, mas vai avançando que o MpD, “comprometido com o desenvolvimento de Cabo Verde”, tudo irá fazer para clarificar como é que a TACV viu arrestado o seu Boeing em Roterdão (Holanda)

Diz  que depois de terem votado “livre e em consciência porque não tinham motivos para não votar o relatório”, os deputados do PAICV sofreram pressão do grupo parlamentar e sobretudo dos dirigentes que fizeram parte do anterior governo com responsabilidade “no processo de delapidação do capital” dos TACV.

Acusa o PAICV de ser irresponsável, por ter conseguido “subtrair mais de 17 milhões de contos, dos quais 5 milhões de activos que recebeu em 2001 e os 12 milhões de contos de passivo” em 2016.

Indaga o deputado como é que a TACV chega a custar ao Estado de Cabo Verde 10 mil contos por dia, o que, a seu ver, representa 300 mil contos por mês, isto é, três milhões de contos por ano, o equivalente a 3% do Produto Interno Bruto (PIB), a ponto do país “correr o risco de perder a ajuda orçamental”.

“Por mais que estudo os números e os acontecimentos não consigo perceber como é que o PAICV consegue transformar uma empresa que recebe um capital positivo de 122 mil contos em 2001 para em 2016 entregar com um capital próprio negativo de 8,7 milhões de contos”, revela.

Afirma que Cabo Verde perdeu nos últimos 15 anos da governação do PAICV cerca de 27 milhões de contos, dos quais 17 milhões efectivamente destruídos e 10 milhões que valiam a empresa TACV, com “destruição do capital de cerca de 5 milhões de contos avaliados em 2001, para além de não ter feito “o encaixe de 10 milhões de contos que a privatização poderia representar”.

Por tudo isto, dadas as discrepâncias entre os dois grupos parlamentares, Luís Silva diz que cabe aos cabo-verdianos a opção de acreditarem até a decisão judicial, mas diz acreditar que os factos estão apontados no relatório e que apontam para “uma gestão indecente”.

A este propósito descreve casos que a seu ver comprova essa gestão como os da contratação da Sterling após um financiamento do Banco Mundial para a restruturação da empresa de bandeira cabo-verdiana, visando a sua privatização, a mudança da frota que culmina com a devolução do Boeing Beleza, de entre vários outros.

SR/ZS

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