Coordenadora das Nações Unidas considera que o Governo deve apostar na igualdade e oportunidades para os jovens

Cidade da Praia, 19 Abr (Inforpress) – A coordenadora residente das Nações Unidas em Cabo Verde, Ulrika Richarson Golinski, considerou hoje que o Governo deve apostar na igualdade e oportunidades para os jovens para que o país tenha um crescimento sustentável e inclusivo.

A responsável, que falava à Inforpress, em jeito de balanço dos resultados do trabalho que desenvolveu ao longo dos cinco anos de missão no arquipélago, disse que Cabo Verde tem um grande potencial jovem e não deve perder essa oportunidade, uma vez que daí a alguns anos vai ter necessidade de mão-de-obra qualificada exigente.

Para a coordenadora, o arquipélago tem agora um grande número de jovens e deve aproveitar o seu dividendo demográfico para criar e implementar medidas de igualdades e oportunidades para os jovens e sublinhou que o Governo e a sociedade civil devem dar continuidade ao plano de colaboração entre as Nações Unidas e Estado para o período 2018/2022.

Ulrika Richarson Golinski afirmou que nos últimos anos o país recuperou a sua economia, mas salientou que este crescimento económico por si só não resolve o problema da pobreza, da desigualdade social, da inclusão social e muito menos da segurança.

No seu entender, para que esse crescimento seja sustentável e inclusivo, o Governo deve continuar a investir, reforçar e melhorar o acesso à educação de qualidade, à saúde e protecção social, tendo como foco a juventude e crianças.

“Olhar para a questão das desigualdades sobretudo económica onde o rendimento das pessoas não contribui para que as mesmas tenham uma vida digna e muita das vezes cria situações que conduzem os jovens para os maus caminhos. Investir nas pessoas, nos recursos humanos, na formação profissional, combater o alcoolismo, a droga e criar estratégias para os jovens em conflitos com a lei”, acrescentou.

Ulrika Richarson Golinski, que termina a sua missão em Cabo Verde no final deste mês, disse que o trabalho desenvolvido durante a sua estada no arquipélago foi “muito positivo” e “produtivo”, uma vez que o Governo, em parceria com as Nações Unidas, conseguiu colocar em prática e implementar cerca de 40 instrumentos como políticas públicas, estratégias, planos nacionais e procedimentos legais que abrangeu o sector da saúde, educação, justiça social entre outros.

Do seu ponto de vista, o Plano Estratégico Nacional de Saúde Sexual e Reprodutiva, o Plano de Acção Nacional de Prevenção e Combate à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, o Plano Nacional de Acção para os Direitos Humanos e Cidadania, o Plano Sectorial para a Educação, o Plano Nacional para a Igualdade e Equidade de Género e o Plano Estratégico para a Economia Azul são medidas com impactos sustentáveis e de longo prazo.

Por outro lado, afiançou que a o sucesso e a implementação desses planos vai depender de como o país vai dar seguimento às mesmas, uma vez que são necessários o engajamento das instituições envolvidas e trabalhar a nível central, mas também descentralizado.

Na ocasião, assegurou que as Nações Unidas vão continuar a prestar toda a assistência técnica para que os planos correspondam às prioridades nacionais, e cumpram as metas preconizadas pelas NU e pelas convenções internacionais assumidas pelo arquipélago.

Para a coordenadora, a protecção social, o sistema de cuidado da pequena infância são áreas em que houve melhorias, mas que precisam ser aprimorados.

“A questão da Violência Baseada no Género (VBG) hoje em dia é muito mais debatida, falada, denunciada e deve ser combatida, e, por outro lado, o abuso sexual de crianças e adolescentes é um fenómeno que sempre existiu, mas esteve escondido por muito anos e hoje somos confrontados com vários casos”, revelou a coordenadora, para quem são dois flagelos, cujo combate o país tem como prioridade e devem ser tratados com cuidado e ter sempre em conta as vítimas sobretudo as crianças.

Ulrika Richarson Golinski, que se encontra em final de missão, mostrou-se também preocupada com a questão da insegurança e do “medo” que reina no seio dos cabo-verdianos, fazendo com que muitos deixem de sair de casa, ficando prisioneiros.

“Para mim isso não é correcto, nem o ideal. A convivência pacífica sem medo é muito importante para um país, e para isso será necessário um trabalho de prevenção e de respostas para as questões de segurança”, afiançou a responsável, que considerou que o sistema de videovigilância não vai resolver a questão da segurança.

AV/ZS

Inforpress/Fim