Lisboa, 17 Fev (Inforpress) - O embaixador de Cabo Verde em Lisboa reiterou a intenção das autoridades cabo-verdianas de proceder a revisão e o aprofundamento do acordo de parceria estratégica com a União Europeia (UE)ainda neste ano.

Numa entrevista exclusiva à Inforpress, em Lisboa, Eurico Monteiro disse que Cabo Verde tem objectivos “muito claros” nesta parceria estratégica sem perder de vista a noção da região onde está inserido que é a zona africana e, em particular, a costa ocidental africana, a CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da Africa Ocidental).

O diplomata lembrou que esta inserção na zona africana obriga também Cabo Verde a ter compromissos especiais de integração por via económico, de mercado único e de ausência de fronteira.

Além de aprofundar e alargar essa parceria, segundo Eurico Monteiro, existe ainda em cima da mesa de discussão com a UE, a questão da mobilidade, entrada e duração de estadia e que abrange ainda determinadas categorias profissionais, abrindo um pouco mais este espaço de comunicabilidade entre os diversos territórios.

Eurico Monteiro destacou ainda o papel que as autoridades portuguesas para que este acordo entre Cabo Verde e União Europeia se torne realidade.

“Sem perder a noção da nossa posição no continente africano e, por ter vocação atlântica, por estarmos situados entre os três continentes, nós aspiramos a uma aproximação, também, que é histórica com a União Europeia”, sustentou.

O embaixador recordou ainda, a este respeito, que Cabo Verde situa-se muito perto das Canárias, dos Açores e da Madeira o que salienta também a sua proximidade com o território europeu.

Eurico Monteiro destacou ainda o facto da existência de uma região não só em termos geográficos, mas também da biodiversidade com a Europa e da zona da Macaronésia que abrange Açores e Madeira e também Cabo Verde.

A aproximação, de acordo com o diplomata abrange, igualmente, questões de natureza cultural e anotou o facto de os cabo-verdianos serem crioulos fundados nessa mistura de culturas um pouco europeia e também africana.

O embaixador disse crer que todas estas características conferem essa “natural pretensão” de ter uma relação mais próxima com a Europa.

“Europa também é de uma importância muito grande em termos económicos também para Cabo Verde”, disse Eurico Monteiro, realçando o grande fluxo de turistas que são provenientes de países europeus.

A este propósito, lembrou que, em 2016, o fluxo de turistas ultrapassou o número de habitantes no arquipélago, ou seja, a fasquia de mais de 500 mil pessoas, o que, segundo ele, fez com que a contribuição do turismo no PIB (Produto Interno Bruto) ultrapassasse os 30 por cento.

“Os turistas são basicamente de proveniência europeia: são os alemães, os britânicos, os portugueses, os italianos, os franceses, são os espanhóis”, anotou.

Acrescentou ainda que Cabo Verde hoje vive um pouco ligado a este turismo proveniente da UE sem se esquecer as empresas de pequenas, média e grande porte que se instalam no arquipélago.

Para Eurico Monteiro, trata-se de uma realidade que confere a Cabo Verde alguma legitimidade neste esforço maior de aproximação da UE e disse estar em crer que a revisão do acordo de parceira de estratégica irá reflectir este desiderato.

A UE possui um acordo global com todos os países da África, Caraíbas e Pacífico (ACP), o Acordo de Cotonou, de que Cabo Verde é também signatário.

Cabo Verde solicitou, entretanto à UE uma nova orientação a esse relacionamento clássico, de onde resultou a Comunicação da Comissão ao Parlamento e ao Conselho sobre o futuro das relações entre a UE e Cabo Verde dirigida ao Conselho dos Assuntos Gerais e Relações Exteriores da União Europeia e ao Parlamento Europeu adoptada em Novembro de 2007.

A nova orientação, conhecida como Parceria Especial, um processo evolutivo, tem como base um diálogo permanente entre as partes sobre a evolução de Cabo Verde e introduz novas dimensões no relacionamento com a União Europeia.

Ela pretende ultrapassar a mera relação de dador-beneficiário e abarcar outros interesses comuns em matéria de segurança e desenvolvimento de modo a permitir um grau de cooperação significativamente maior que possibilite a Cabo Verde participar progressivamente nalgumas políticas da União Europeia.

JAR/CP
Inforpress/Fim

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