Cimeira CPLP: Salenses congratulam-se com realização da cimeira na ilha mas cépticos quanto a resultados práticos

Santa Maria, 17 Jul (Inforpress) – A maioria dos salenses ouvidos pela Inforpress congratula-se com a realização da Cimeira da CPLP, na ilha do Sal, já que permite visibilidade à ilha e ao país, mas céptica quanto a resultados práticos.

Abordadas pela Inforpress, a propósito da XII Conferência de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que arranca hoje, na cidade de Santa Maria, algumas pessoas veem a realização do evento com alguma expectativa e satisfação, já que não é todos os dias, conforme dizem, que Cabo Verde recebe uma cimeira de tal nível, com a presença de vários chefes de Estado e de Governo, entre outras entidades.

“Normalmente, estas cimeiras são cimeiras mais políticas do que resultados concretos. São várias cimeiras já feitas e na prática vê-se muito pouco. Os países da CPLP estão dispersos, em vários continentes, cada um à sua velocidade e nível de desenvolvimento… por isso, não vejo que mais esta cimeira vá trazer alguma coisa de concreto”, manifestou Júlio Rendall.

Filomena Silva, trabalhadora por conta própria, também atenta ao que se passa no país e no mundo, conforme disse, é uma “honra” receber este evento no país, que vai servir para mostrar Cabo Verde, os hotéis e as praias da ilha do Sal ao mundo.

“Para ser sincera, não acredito que este encontro vai trazer alguma vantagem ou benefício para o país ou comunidade. Só se for em termos políticos. A CPLP foi criada há 22 anos e na prática não se vê nada, antes pelo contrário. Por exemplo, criou-se o IILP [Instituto Internacional da Língua Portuguesa] … e olha a situação que se encontra. Prestes a fechar as portas por conta de dívidas”, observou.

Por outro lado, taxistas e comerciantes, dos Espargos, especialmente, embora congratulem-se com a ideia de transformar a ilha na Capital da Lusofonia, por alguns dias, queixam-se, entretanto, que o evento movimentou a cidade de Santa Maria, concentrando-se tudo ali, enquanto “tirou vida” à cidade dos Espargos, cujos operadores económicos “ficaram a ver navios a passar”.

Esse mesmo sentimento não se estende, porém, às empresas Rent-a-Car, por exemplo, que viram todos os seus carros alugados, e alguns hotéis também lotados, como Dunas do Sal, que fica mesmo em frente ao Hotel Hilton onde vai decorrer a cimeira.

Aplaudindo o tema, “Cultura, Pessoas e Oceanos”, uns e outros esperam, contudo, que tudo corra bem, que Cabo Verde tenha uma presidência com protagonismo, que não se fique apenas pelos discursos, e se tente tirar proveito lá onde é possível.

A XII Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP, que marca o início da presidência cabo-verdiana da organização, foi precedida de vários encontros técnicos e multilaterais com temas diversos, entre actividades culturais.

A cultura é uma das temáticas do país, que vai apresentar uma proposta de criação de um mercado comum cultural e de realização de iniciativas culturais, como bienais ou prémios de artes.

É a segunda vez que Cabo Verde acolhe a reunião de Chefes de Estado da CPLP, tendo a primeira sido realizada em Julho de 1998.

Nesta conferência participam chefes de Estado de oito dos nove países membros da organização: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe. Timor-Leste cancelou a participação no evento, depois de ter confirmado.

Para além dos membros que formam a Comunidade, a CPLP tem como observadores associados países como a Geórgia, a Hungria, o Japão, a República Checa, a República Eslovaca, a República das Maurícias, a República da Namíbia, a República do Senegal, a República da Turquia e o Uruguai.

SC/CP

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