Cimeira CPLP: Francisco Ribeiro Teles eleito novo secretário-geral da CPLP – Angola acolhe Cimeira de 2020

Santa Maria, Ilha do Sal, 18 Jul (Inforpress) – O embaixador português Francisco Ribeiro Teles foi eleito novo secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), decisão saída da Cimeira do Sal, que aprovou ainda Angola como país a receber o conclave em 2020.

A votação em Angola para receber a próxima Cimeira da CPLP mereceu a unanimidade dos Estados membros.

O novo secretário executivo, que inicia funções em Janeiro de 2019, para o biénio 2019-2020, enfatizou no primeiro discurso de aceitação do cargo o “compromisso” de “trabalhar intensamente” para afirmar os valores e objectivos da CPLP, enquanto plataforma de cooperação “solidária e horizontal e de vocação global”.

Depois de deixar elogios à sua antecessora, Maria do Carmo Silveira, Francisco Ribeiro Teles lembrou que a CPLP é uma criação dinâmica e que tem “a sua história no seu futuro”.

“Vinte e dois anos depois da fundação todos têm consciência do muito que a CPLP já concretizou e do muito que continua por fazer em diferentes domínios”, precisou Ribeiro Teles, que diz assumir o cargo com “satisfação, responsabilidade e privilégio” por vir a servir uma comunidade plural onde todos são herdeiros daqueles que ajudaram a fundar as soberanias, consolidar as independências e a projectar a presença da CPLP no mundo.

Francisco Ribeiro Teles iniciou a sua vida diplomática em Cabo Verde há 16 anos, tendo chefiado ainda as missões de Portugal, em Angola e no Brasil, participado das negociações que culminaram na independência de Timor-Leste e já visitou todos os países da CPLP.

No segundo dia da XII Conferência de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), na ilha do Sal, foi aprovado também a concessão da categoria de observadores associados da CPLP os países como Chile, Sérvia, Argentina, Itália, Andorra, França e Grão-Ducado do Luxemburgo e a organização dos Estados Ibéro-Americanos para a Educação, Ciência e Cultura, na categoria de assessor associado da CPLP.

Pelo número de adesões, o Presidente de Cabo Verde e presidente em exercício da CPLP, Jorge Carlos Fonseca, constatou, na ocasião, uma “grande apetência” para a CPLP.

A Cimeira foi ainda palco, hoje, da assinatura de um compacto financeiro para os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), “iniciativa singular” do Banco Africano do Desenvolvimento (BAD), rubricado pelo presidente do banco, sediado em Abidjan, e pela secretária executiva da CPLP.

A Cimeira decidiu ainda expressar um voto de louvor à secretária executiva da CPLP, Maria do Carmo Silveira, pela “dedicação e elevada competência e determinação” com que vem servindo a Comunidade ao longo do seu mandato, mas também pelo “empenho na efectivação da nova visão estratégica” da CPLP e na projecção internacional da organização e o seu “papel activo” na promoção da participação da CPLP aos seus cidadãos.

Por fim, a Cimeira saudou a memória de Nélson Mandela, que se fosse vivo completaria 100 anos, definido por Jorge Carlos Fonseca como “grande combatente anti-apartheid, pela democracia e pelos ideais humanistas e da democracia”.

O encerramento da XII Conferência de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa está previsto para as 15:00, no hotel Hilton, em Santa Maria, antecedida da divulgação da Declaração de Santa Maria.

A CPLP foi criada a 17 e Julho de 1996, em Lisboa, por sete Estados: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. Em 2002, com a independência, Timor-Leste tornou-se oitavo Estado-membro. Em 2014, a Guiné-Equatorial foi admitida como membro da organização, durante a Cimeira realizada na capital timorense, Díli.

A organização definiu como objectivos gerais a concertação político-diplomática entre os seus Estados-membros, nomeadamente para o reforço da sua presença no cenário internacional, tendo também como um dos seus objectivos a promoção e difusão da língua portuguesa.

A área do globo terrestre ocupada pelos nove Estados-membros da CPLP corresponde a 10.742 000 quilómetros quadrados de terras, o correspondente a 7,2 por cento (%) da terra do planeta (148.939 063 quilómetros quadrados), espalhados por quatro continentes: Europa, América, África e Ásia.

AA/FP

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