Cimeira CPLP: Discos de música tradicional cabo-verdiana com “boa procura” entre os participantes – produtor

Santa Maria, Ilha do Sal, 19 Jul (Inforpress) – O produtor musical e proprietário da Editora Boa Música confirmou a Inforpress, no Sal, que em dois dias vendeu cerca de 200 CD de música tradicional cabo-verdiana a pessoas e entidades que participaram na Cimeira da CPLP.

Para Júlio do Rosário, que colocou um ponto de exposição e venda de músicas com a chancela da Editora Boa Música no hotel Hilton, onde decorreu a Cimeira, pelos vistos, “o pessoal” veio já com a intenção de levar música tradicional de Cabo Verde.

Exemplificou com o caso de um assessor do ministro dos Negócios Estrangeiros de Moçambique que pediu para levar, a pedido do ministro, tudo o que encontrasse de música de Cabo Verde.

“Ou seja, comprou três exemplares de cada artista que tinha em exposição, num total que ascendeu 30 discos, o que me impressionou”, contou o produtor.

Mas houve quem também, acrescentou, comprasse como recordação ou para oferecer a familiares e amigos, mas, ajuntou, “todos tinham algo em comum”, perguntavam “apenas” por música tradicional de Cabo Verde.

Por isso, o produtor classificou de boa a iniciativa da Cimeira e disse que agora resta esperar que tudo se concretize até chegar à livre circulação na CPLP.

“Tal iria facilitar os produtores, por exemplo, em possíveis parcerias e intercâmbios com produtores musicais e de eventos e editores dos nove países”, lançou, com “ganhos para todos”, em benefício de Cabo Verde e da CPLP.

A Boa Música disponibilizou para a exposição/venda tudo o que tem editado nos últimos anos, como os trabalhos de Bau e Voginha, compilações antologia de ritmos de Cabo Verde, Djila, Boas Festas e outros que importou como Bana, Dudu Araújo, Tito Paris, Jennifer e Mindel Band, entre outros.

A editora veio ao Sal para, igualmente, ao lado do Ministério da Cultura e das Industrias Criativa, organizar dois eventos, uma tarde de mornas durante um almoço dedicado aos convidados, com os cantores Djila, Jennifer Soledad e Nancy e o instrumentista Bau, e a abertura da Cimeira com as presenças dos violinistas Bau e Voginha, que acompanharam Tito Paris.

Ainda na vertente cultural, os resultados da exposição colectiva de três gerações de artistas plásticos, com o mote “Cultura, Pessoas e Oceano”, converteu-se em resultados que agradaram a organização, segundo o director-geral das Artes, Adilson Gomes.

“Fizemos algumas vendas, no geral as pessoas gostaram, falaram muito bem da exposição, o próprio hotel Hilton ficou muito interessado em ter iniciativas dessas mais vezes no seu espaço”, concretizou o responsável, que para a mostra, patente no hotel Hilton, trouxe quadros de 15 artistas de três gerações.

“Angola comprou mais quadros, por ter mais meios para comprar arte, até porque eles próprios têm uma bienal de artes e isso já despoleta algo para essas pessoas que são coleccionadores de artes”, indicou Adilson Gomes.

Agora, sintetizou, a proposta do hotel Hilton será discutida com o ministro da Cultura para, num futuro “muito próximo”, se avançar com mais iniciativas do tipo na ilha do Sal neste e noutros espaços que acolhem estrangeiros e nacionais.

A XII Conferência de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) decorreu durante dois dias na ilha do Sal.

A CPLP foi criada a 17 e Julho de 1996, em Lisboa, por sete Estados: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. Em 2002, com a independência, Timor-Leste tornou-se oitavo Estado-membro. Em 2014, a Guiné Equatorial foi admitida como membro da organização, durante a Cimeira realizada na capital timorense, Díli.

A organização definiu como objectivos gerais a concertação político-diplomática entre os seus Estados-membros, nomeadamente para o reforço da sua presença no cenário internacional, tendo também como um dos seus objectivos a promoção e difusão da língua portuguesa.

A área do globo terrestre ocupada pelos nove Estados-membros da CPLP corresponde a 10.742 000 quilómetros quadrados de terras, o correspondente a 7,2 por cento (%) da terra do planeta (148.939 063 quilómetros quadrados), espalhados por quatro continentes: Europa, América, África e Ásia.

AA/CP

Inforpress/Fim