Cidadão português termina greve de fome em frente ao CCV mas apela aos cabo-verdianos a prosseguirem com sua luta (c/áudio)

Cidade da Praia, 06 Dez (Inforpress) – O cidadão português terminou hoje o 4º dia de greve de fome por tempo indeterminado em frente ao Centro Comum de Visto, após a sua mulher, uma cabo-verdiana, receber visto e apelou aos cabo-verdianos a prosseguirem com a sua luta.

O momento que a mulher do português Carlos Pereira saiu do edifício do Centro Comum de Visto na Cidade da Praia e mostrava o passaporte ao marido, confirmando que finalmente o pedido do visto de entrada tinha sido aceite, ficou marcado por abraços e lágrimas entre os dois e a certeza de que a luta afinal valeu a pena.

Em declarações à imprensa, Carlos Pereira, que no passado dia 03 de Dezembro, iniciou uma greve de fome por tempo indeterminado, em protesto contra a decisão do Centro Comum de Visto que recusou emitir o visto de turismo à sua mulher, de nacionalidade cabo-verdiana, disse que conseguiram o visto por este ser um direito legal que a sua mulher tem.

“Conseguimos aquilo que tínhamos direito, sem favor de ninguém, é mais do que humano receber, tínhamos tudo legal. Este visto não é favor de ninguém. Era um visto para ela ir a Portugal, está casada com um cidadão português, porque é que não vai ter visto que tem direito”, questionou, afirmando, entretanto, que quando chegar a Portugal irá apresentar uma queixa ao Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal.

Entretanto, estranhou a reacção da Embaixada de Portugal em Cabo Verde que afirmou que o processo da sua esposa estava a seguir a sua tramitação normal, quando esta lhe negou o visto de entrada, sob justificativa de que Carlos Pereira não tinha residência em Portugal.

“Os documentos estavam todos legais, foi tudo entregue, nenhum documento faltou. Negaram-lhe o visto, a minha pergunta é a seguinte: se a negaram o visto – eu até ao momento não entreguei documento algum de pois da recusa do visto e lhe entregaram o visto agora, pergunto quem é que estava errado? Era eu a CCV ou Portugal?”, perguntou Carlos Pereira.

Questionou neste sentido porque é que lhe negaram o visto, se havia então a necessidade de fazerem a verificação dos documentos, acrescentando que quer explicações sobre a sua situação que considerou injusta.

A atitude em fazer uma greve de fome deve, a partir de agora, segundo Carlos Pereira, ser a atitude que todos os cabo-verdianos que são negados o visto injustamente devem tomar, aconselhando os mesmos a estarem mais “cientes” porque podem, ajuntou, estar a ser roubados no Centro Comum de Visto.

“Eu terminei hoje, mas não terminava aqui, ficaria o tempo que o meu corpo e a minha mente pudessem estar aqui e que a minha luta seja agora a luta dos cabo-verdianos”, declarou, lamentando, por outro lado, o facto da Embaixada de Portugal em Cabo Verde ter-lhe recusado auxílio médico, alegando que para tal acção teria que ter a autorização de Portugal.

Grato pelo apoio que recebeu nesses quatro dias de greve de fome, revelou que durante a noite de quarta-feira e a manhã de hoje recebeu a visita de profissionais de saúde do Centro de Saúde de Achada de Santo António.

Recebeu ainda o apoio da Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDHC) que, conforme disse, fizeram um especial favor de lhe mandar uma equipa de paramédica para o analisar, da Policia Nacional e dos elementos das forças de segurança privada.

Em comunicado de imprensa enviado hoje à Inforpress, a Embaixada de Portugal em Cabo Verde afirmou que após ter sido verificado, pelo serviço competente, que a requerente cumpria os requisitos legalmente fixados, foi concedido hoje, pelo Centro Comum de Vistos, na Cidade da Praia, o visto de entrada em Portugal, solicitado pela Dulce Leal de Brito Guterres Pereira.
Carlos Pereira reside em Cabo Verde há 8 anos e é casado com uma cabo-verdiana há três anos.

CM/JMV

Inforpress/Fim