Centrais Sindicais e CCISS consideram que há “boa base” para negociação do pacote estratégico 2017/2021

 

 

Cidade da Praia, 19 Jun (Inforpress) – As centrais sindicais do país e a Câmara do Comércio de Sotavento consideram que a proposta apresentada hoje pelo Governo para debate, em sede do Conselho da Concertação Social (CCS), constitui uma “boa base” de negociação do pacote estratégico 2017/2021.

Em declarações à imprensa, a Confederação Nacional dos Sindicatos Livres (CCSL) representado por José Manuel Vaz, destacou que no decorrer do debate vão colocar algumas questões que têm a ver com a renumeração dos políticos cabo-verdianos e funcionários públicos, assim como estatutos do pessoal dos quadros privativos.

Segundo o sindicalista, para além disso, existem ainda questões relacionadas com os pendentes no que tange às promoções, progressões e reclassificações, bem como a aposentação antecipada no sector privado, que não constam da proposta, pelo que gostariam de poder obter explicações do Governo a esse respeito.

José Manuel Vaz indicou, por outro lado, que há consenso quanto à reposição do poder de compra dos cabo-verdianos, de forma gradual, atendendo que nos últimos dez anos os trabalhadores perderam cerca de 24 por cento do seu poder de compra.

Conforme explicou, a esse propósito não vai ser exigido uma reposição total, mas sim um “reajustamento” em cerca de 3 %, e “gradativamente” até se chegar ao limite pretendido.

Por seu turno, a secretária-geral da União Nacional dos Trabalhadores Cabo-verdianos – Central Sindical (UNTC-CS), Joaquina Almeida, considera que o momento é de discussão e análise sobre tudo quanto foi apresentado pelo Governo.

“O plano, de uma maneira geral, absorveu as nossas preocupações no que tange ao aumento salarial, salário mínimo, subsídio do desemprego, reclassificação, progressão e promoções. Por isso, enquanto parceiro social estamos com espírito aberto para ultrapassar as eventuais divergências que possam surgir”, defende.

Contudo, Joaquina Almeida admite a existência de alguns pontos do acordo social que não ficaram esclarecidos, em relação aos quais pretende pedir explicações ao Governo.

A par disso, avançou à Inforpress que enquanto parceiro social, a UNTC-CS promete o seu aval ao Governo nesta matéria.

Na mesma linha de ideias, o presidente da Câmara do Comércio, Indústria e Serviços de Sotavento (CCISS), Jorge Spencer Lima, entende que há condições para que o representante do patronato assine o acordo estratégico, visto que ele responde às preocupações que vêm sendo colocadas ao longo dos anos pelos parceiros sociais.

“Os governos anteriores diziam sim às nossas preocupações, mas em termos práticos não vimos resultados. Este já trás indicações claras da disponibilidade política em fazer as coisas avançarem, mas sobretudo, tem uma visão que podemos depois cobrar”, frisou.

Segundo Jorge Spencer Lima, há necessidade de se estabelecer um documento “onde todos se entendam”, para que depois “se possa fazer as cobranças sobre o que não for feito”.

Na qualidade de representante da Câmara do Comércio, Indústria e Serviços de Sotavento, diz estar de acordo com o documento apresentado pelo Governo, embora admite que existam ainda questões a serem discutidas e propostas para o seu melhoramento.

“Todavia, isso não põe em causa o mérito do documento apresentado hoje pelo Governo na reunião do Conselho da Concertação Social” enfatizou.

PC/FP

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