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Caso morte de criança na ETAR: “É claramente um homicídio por omissão”- presidente da CPR do PAICV

Mindelo, 27 Jul (Inforpress) – O presidente da CPR do PAICV em São Vicente pediu, hoje no Mindelo, que se saque responsabilidades políticas e judiciais sobre a morte da criança na ETAR, um caso que Alcides Graça classifica como “homicídio por omissão”.

O presidente da Comissão Política Regional (CPR) do PAICV em São Vicente falava à imprensa na manhã de hoje, sobre o acidente, em que uma criança de seis anos morreu afogada, no último sábado, num dos tanques de Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR), em Ribeira de Vinha.

“Acidentes acontecem, é verdade. Mas desta vez aconteceu por irresponsabilidade desta câmara que negligenciou os seus deveres de vedar convenientemente a ETAR”, declarou Alcides Graça que aponta ainda a “falta” de um “vigilante permanente para controlar e limitar o acesso ao espaço de pessoas estranhas ao serviço”.

O presidente do CPR reagia assim a declarações da vereadora do Ambiente da Câmara Municipal de São Vicente, Carla Monteiro, em declarações à RCV, que afirmou estar a estação vedada e com guardas para impedir entradas.

Algo que Alcides Graça contraria, já que ele próprio esteve no local e conseguiu entrar “sem problemas” na ETAR, cuja vedação é de um muro de pouco mais de um metro e uma entrada com uma cancela “facilmente transportável” e “sem guarda permanente”.

Desse modo, segundo a mesma fonte, só se lamenta a “tentativa vergonhosa da CMSV, através da vereadora, de sacudir a água do capote, procurando atirar a responsabilidade do acidente à criança”.

Isso quando, ajuntou, o “mínimo” que se esperava, era que o presidente da edilidade, pedisse publicamente desculpas à família e assumisse “a sua responsabilidade política e criminal” pelo sucedido.

“Se fosse um país sério, no mínimo, a senhora vereadora do ambiente deveria ser desprofissionalizada imediatamente”, atirou o presidente da CPR, acrescentando que vai tomar as medidas que estiver ao seu alcance para “o dano ser reparado” e para que “a culpa não morra solteira”.

Nesse sentido, Alcides Graça pessoalmente coloca à disposição da família da criança, e de forma “gratuita”, os seus serviços como jurista para levar esse “crime” ao Tribunal.

“É claramente um homicídio por omissão, quem tem responsabilidades da ETAR é a Câmara de São Vicente, e não tomando todas as medidas para evitar o acidente tem culpa sim”, concretizou.

O caso de afogamento aconteceu no último sábado, quando Tiago, avó e o seu cão entraram na estação, que lhes era um lugar familiar, no final da tarde quando vinham de um banho na Praia da Galé.

O menino de seis anos caiu num dos reservatórios quando tentava resgatar o seu cão, que tinha se aproximado e caído num dos tanques.

O corpo do menino de seis anos afundou-se logo, devido à quantidade de produtos tóxicos existentes na água. O cadáver só foi recuperado três horas depois por um mergulhador e com ajuda de um bote de borracha.

LN/ZS

Inforpress/Fim