“Carne Fraca”: Governo garante que Cabo Verde tem um sistema que permite prevenir este tipo de situações

Cidade da Praia, 23 Mar (Inforpress)-O ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, garantiu hoje que Cabo Verde tem um sistema que permite prevenir este tipo de situações e que estão a analisar as importações em curso e as feitas.

O governante, questionado pela Rádio de Cabo Verde (RCV), sobre o processo “Carne Fraca”, (venda ilegal de carne), adiantou que Cabo Verde não importa carne só através de Portugal, mas também através de outras vias, mas assegurou que para este tipo de procedimentos existem segurança.

“Face a esta situação, os serviços e as autoridades nacionais estão a analisar as importações em cursos e aquelas já feitas, mas o que posso dizer é que temos um sistema que permite prevenir este tipo de situações”, disse o ministro, afiançando que caso o país importasse este tipo de carne seriam tomadas medidas do ponto de vista sanitário, recomendadas pela Organização Mundial da Saúde Animal.

Instado se Cabo Verde já pediu a lista das empresas que estão a ser investigadas no âmbito do processo, Gilberto Silva avançou que existe uma relação institucional entre as autoridades veterinárias, na qual Cabo Verde coopera.

O ministro afirmou ainda que , neste momento, as autoridades estão a trabalhar na identificação das importações feitas de modo a analisarem se há ou não houve risco em relação às importações e à saúde pública.

O governante assegurou que de um modo geral a importação da carne e de outros produtos requer uma autorização previa do forro sanitário passada pelas autoridades competentes e veterinárias do país.

“E evidente que na autorização consta a situação sanitária dos vários países, com informações de origem das carnes, processo esse que é feito antes de solicitar a importação”, afiançou.

Na última sexta-feira, 17, a Polícia Federal brasileira revelou a existência de um esquema de adulteração de carnes e derivados, organizado por executivos de grandes empresas do sector, servidores do Ministério da Agricultura, políticos e assessores de parlamentares.

De acordo com a polícia federal, no âmbito deste processo, foram identificados funcionários públicos que eram subornados por directores de empresas para darem aval a carnes com prazos de validade já ultrapassados e adulteradas.

Entre as práticas, foi comprovado o uso de químicos para melhorar o aspecto das carnes, a falsificação de etiquetas com a data de validade ou a inclusão de alimentos não adequados para consumo na elaboração de enchidos.

A operação denominada “Carne Fraca” cumpriu mandatos de prisão, busca e apreensão no distrito Federal, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Goiás e cerca de 30 empresas foram alvos da Polícia Federal, entre elas grandes grupos, como a BRF (dona das marcas Sadia e Perdigão) e a JBS (das marcas Big Franco, Friboi e Seara Alimentos).

AV/JMV
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