Câmara de Santa Catarina reitera que lixeira municipal vai ser selada após entrada em funcionamento do Aterro de Santiago

Assomada, 31 Jul (Inforpress) – A autarquia reiterou hoje que a lixeira municipal de Santa Catarina, localizada na localidade de Ribeira da Barca (interior de Santiago), vai ser selada só depois da entrada em funcionamento do Aterro Sanitário de Santiago.

Em declarações à Inforpress, o vereador do Ambiente e Saneamento, Vladimir Brito, lembrou ainda que esta situação também é uma “preocupação” da câmara que, observou, não tendo outra alternativa, se sentiu “obrigada” a mantê-la até a entrada em funcionamento do aterro sanitário de Santiago prevista ainda para este ano.

Tendo em conta que no município vai ser instalado um centro de transferência de resíduos sólidos que, possivelmente, pode situar-se próximo da ETAR de Achada Galego, aquele responsável assegurou que após isso vão trabalhar para preparar a selagem definitiva do espaço.

Explicou que neste centro de transferência serão levados os resíduos sólidos dos seis municípios da região norte (Santa Catarina, Tarrafal, São Miguel, Santa Cruz, São Lourenço dos Órgãos e São Salvador do Mundo) que serão, posteriormente, transferidos para o aterro.

A lixeira, situada naquela localidade, é para a população “um autêntico atentado à saúde pública” e estima-se que muitas doenças como gripe, problemas respiratórios, entre outras, são resultantes da lixeira devido à queima do lixo que faz fumo e “invade” a comunidade.

Este ano a população concentrou-se na entrada onde se situa a lixeira municipal, em Achada Santa Catarina, pedindo a selagem “urgente e definitiva” do espaço, tendo questionado o facto de a lixeira não ter sido ainda selada, uma vez que o Aterro Sanitário intermunicipal de Santiago já foi inaugurado.

Os populares pedem, por isso, a intervenção do Governo, por entenderem que se trata de uma situação de “emergência”.

A lixeira, que fica situada perto do cemitério local, de acordo com os moradores, tem causado problemas quando realizam funerais, o que nada dignifica os seus mortos, desabafando que até já voltaram para casa com os mortos, por causa do acúmulo do lixo na via de acesso.

Se não for possível à autarquia local tomar medidas urgentes, que deverão culminar com a selagem definitiva da lixeira, a população aconselha às autoridades a criarem condições para que o lixo não invada a comunidade e que não se proceda à queima do mesmo.

A população da Ribeira da Barca critica ainda o facto de a edilidade santa-catarinense autorizar outros concelhos a depositarem o lixo naquela estrumeira.

Os residentes estão ainda contra a suposta decisão camarária de mandar os camiões derramarem os resíduos líquidos de esgotos ao redor, provocando um cheiro nauseabundo.

Numa recente entrevista à Inforpress, o presidente da Associação dos Municípios de Santiago (AMS), Clemente Garcia, mostrou-se “confiante” na entrada em funcionamento do Aterro Sanitário de Santiago, no decorrer deste ano, garantindo que medidas estão sendo tomadas neste sentido.

Na ocasião, o autarca disse que as providências estão sendo tomadas para que, numa primeira fase, os municípios de Santiago Sul (Ribeira Grande de Santiago, Praia e São Domingos) comecem a fazer uso desta infra-estrutura, inaugurada em Maio de 2015.

Entretanto, em Abril último, em declarações à Inforpress, o ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, alertou que se o Aterro Sanitário de Santiago não for bem gerido “vai correr o risco de se transformar rapidamente numa lixeira”, notando que há muitas questões técnicas e financeiras que terão que ser equacionadas para que o mesmo possa ser gerido de forma adequada.

O governante lembrou, entretanto, que o funcionamento da infra-estrutura não depende directamente do executivo, mas que cabe ao mesmo criar as condições para o seu efectivo funcionamento como, por exemplo, a lei-quadro aprovada há pouco tempo no parlamento.

A lei vai permitir a gestão de resíduos sólidos urbanos como sendo um serviço básico, permitindo uma série de outras medidas que ajudam na sustentabilidade do sector de gestão integrada dos resíduos sólidos urbanos, conforme Gilberto Silva.

O Aterro Sanitário de Santiago, financiado pela União Europeia (UE) em 6,5 milhões de euros, ocupa uma área de 20 hectares (equivalente a 20 campos de futebol). Tem uma vida útil estimada em 18 anos e a capacidade para tratar 1,2 milhões de toneladas de resíduos sólidos de todos os nove municípios da ilha de Santiago.

FM/ZS

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