Câmara de Comércio de Sotavento desaconselha empresários cabo-verdianos a fazer negócios em Portugal

Cidade da Praia, 15 Abr (Inforpress) – O presidente da CCISS informou que enquanto a questão de obtenção de visto não for resolvida definitivamente, a organização não fará nenhuma missão empresarial à Portugal e desaconselha os empresários cabo-verdianos a fazerem negócios naquele país europeu.

Em declarações à Inforpress, o presidente da Câmara de Comércio, Indústria e Serviços de Sotavento (CCISS), Jorge Spencer Lima, disse que a organização suspendeu uma missão à Portugal, porque três empresários cabo-verdianos, de um grupo de 10, que iriam participar no SISAB (Salão Internacional do Sector Alimentar e Bebidas) viram seus pedidos de vistos recusados.

Uma situação que afirmou “fez esgotar a paciência da CCISS”, que, apesar das justificativas por parte do Centro Comum de Vistos, gerido por Portugal, os empresários apresentaram toda documentação necessária, sustentando assim, que as argumentações do CCV não correspondem à verdade.

Questionado sobre possíveis motivos que estiveram no processo, Jorge Spencer Lima afirmou que a situação tem sido recorrente pelo que a CCISS não fará nenhuma missão enquanto a questão de obtenção de vistos não ficar definitivamente resolvida.

“A situação mantém-se, não vamos organizar missões empresariais à Portugal enquanto a situação no Centro Comum de Visto não for resolvida. Disseram que era um problema pequeno, mas não é porque não é primeira vez que acontece e já não estou com paciência para isso”, disse, asseverando que o CCV “mande quem quer, corta quem não quer”, quando o assunto é solicitação de vistos.

A suspensão das missões empresariais, segundo disse, não trará consequências à classe, frisando, entretanto, que os empresários cabo-verdianos estão acostumados a realizar missões em Portugal, situação resultante das boas relações existentes entre os dois países.

“Organizamos as missões empresariais onde nós quisermos e para países que quisermos. Estamos habituados a realizar missões empresariais em Portugal e, com essa situação, temos que ajudar os empresários a procurar alternativas, isto tem seu trabalho e seu custo”, disse admitindo, por outro lado, que mudar de fornecedor às vezes não é fácil, mas que “se tiver que ser, assim será”.

Jorge Spencer Lima vai mais longe afirmando que se não se resolver a questão da mobilidade, Cabo Verde deve sair da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) asseverando, que não faz sentido fazer parte de uma organização na qual os membros “não possam circular de um lado para outro”.

“Se não resolver a questão da mobilidade é melhor Cabo Verde sair da CPLP e ponto final. Vamos parar de brincadeiras, chega, eles não querem mobilidade, então não precisam de nós para fazer politiquice. Então acaba-se com a CPLP”, desabafou.

A polémica da suspensão de missões empresariais a Portugal surge na semana em que foi realizada a cimeira Cabo Verde-Portugal, em Lisboa, tendo o presidente da CCISS ressaltado que de acordo com as declarações feitas, a questão da obtenção de vistos está longe de ser resolvida.

CM/CP

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