Cabo Verde terá proximamente sua Carta do Património Subaquático no âmbito do projecto CONCHA – IPC

Cidade da Praia 30 Abr (Inforpress) – O Instituto do Património Cultural em parceria com a Universidade Nova de Lisboa pretende elaborar uma carta do património subaquático de Cabo Verde, no âmbito do projecto de arqueologia subaquática CONCHA da Cátedra Unesco.

A informação foi avançada hoje à Inforpress, pelo coordenador da Direcção de Monumentos e Sítios, Jaylson Monteiro, quando fazia balanço da primeira fase do projecto CONCHA em Cabo Verde, que visa desenvolver conhecimentos históricos e patrimoniais, no domínio da investigação, salvaguarda e valorização do legado subaquático.

O projecto iniciou no dia 26 de Abril com o primeiro mergulho em arqueologia subaquática no ancoradouro da baía de Cidade Velha, seguido para a Urânia (Baía do Ilhéu de Santa Maria), e na baia de São Francisco, onde foi feito a georreferenciação do local.

“Na primeira fase o objectivo foi de prospecção, fazer o reconhecimento da área, o potencial da área, objectos existentes nesses locais de naufrágios”, informou.

Conforme explicou, o projecto com a duração de três anos, vai arrancar com a segunda fase em Junho e termina em Agosto, um período onde serão levados a cabo trabalhos de escavação arqueológica com a recolha dos objectos e em seguida a sua análise.

Depois desta fase, indicou, os técnicos do IPC em parceria com a Universidade Nova vão elaborar uma Carta do Património Subaquático de Cabo Verde para que as autoridades possam saber aonde estão os objectos de naufrágios e a sua melhor monitorização.

“Vamos fazer o trabalho no laboratório para analisar os levantamentos feitos para depois no final do projecto termos a carta arqueológica que leva algum tempo para a sua execução”, sublinhou.

Os trabalhos de georreferenciação do local foram acompanhados pelos responsáveis do projecto Concha, José Bettencourt e Patrícia Carvalho, os arqueólogos do IPC, Dúnia Pereira e Jaylson Monteiro, o conservador José da Silva Lima e Emanuel Charles de Oliveira, a Guarda Costeira e a Polícia Nacional e Marítima.

Para o arqueólogo José Bettencourt esta missão veio a confirmar o potencial arqueológico subaquático de Cabo Verde, onde da avaliação feita depararam com um potencial científico e patrimonial “muito elevado”.

“Nos três sítios temos vestígios muito diversos da navegação. A Cidade Velha é extremamente importante, porque teve um papel muito importante na navegação e os vestígios subaquáticos apenas confirmam o seu valor enquanto património mundial. Temos ali um cemitério de âncoras e restos de cerâmica de várias origens e tipologias”, frisou.

Já na baia do Urânio e de São Francisco, apontou, foram encontrados “barras de ferro, canhões de ferro e equipamentos de navios bem preservados”.

Apesar desses achados, os arqueólogos irão, na segunda fase, fazer uma recolha selectiva e reduzida, pois conforme explicou esta missão tem como objectivo recolher o mínimo de objecto possível, e recuperar os que estão em risco.

“Respeitamos o princípio da Unesco, que é a preservação no sítio, isto é, vamos garantir a perservação de baixo de água da maior parte dos vestígios que é para futuras gerações de arqueólogos sejam cabo-verdianos ou estrangeiros que querem trabalhar tenham o que estudar”, assegurou.

Ainda no âmbito deste projecto, na componente socialização, o museu proporcionou aos alunos do ensino básico da Praia e do ensino secundário uma visita ao museu onde puderam por um dia ser arqueólogo e apreender como fazer um trabalho de arqueológica subaquática e terrestre.

AM/FP

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