Cabo Verde quer estabilizar ganhos para poder salvar vidas e eliminar paludismo – António Moreira

Cidade da Praia, 25 Abr (Inforpress) – O coordenador do Programa Nacional de Luta contra o Paludismo, António Moreira, disse hoje que Cabo Verde quer estabilizar ganhos na luta contra o paludismo para poder salvar vidas e eliminar a doença no futuro.

António Moreira deu essa garantia à imprensa quando falava sobre a situação no país, as conquistas e os planos do Governo para poder cumprir com o propósito de eliminar a doença até 2020, na feira de saúde promovida na Várzea de Companhia no âmbito da comemoração do Dia Mundial de Luta contra o Paludismo que se comemora sobre o lema “Pronto para derrotar o Paludismo”.

“Com o fim da epidemia traçamos estratégias e reforçamos actividades no terreno na luta anti larval com a intenção de reduzirmos os números de casos e de mortes visando a marcha rumo à eliminação da malária neste país, o que significa salvar vidas”, disse.

E como lutar contra o paludismo é investir no futuro, segundo António Moreira, a escolha do bairro da Várzea de Companhia para assinalar a data e sensibilizar a comunidade deve-se ao facto de este ser um local onde os casos autóctones de paludismos, a nível da Cidade da Praia, afectaram 40 pessoas em 2017.

O aumento de casos nesta comunidade, sublinhou, deveu-se aos vários factores negativos como o meio ambiente, drenagem de água devido à existência de um solo subterrâneo com lençóis freáticos, uma vala aberta na avenida e que desagua na praia da Gamboa, bem como a existência de uma horta urbana no Taiti.

“Toda essa situação condiciona o nosso trabalho se não estivermos vigilantes para o caso de haver algumas pessoas infectadas”, disse, lembrando a situação que o país viveu em 2017 com o aumento de casos autóctones, sobretudo na Cidade da Praia onde se registou mais de 400 casos.

Este ano, precisou Cabo Verde registou no mês de Janeiro seis casos de paludismo sendo dois autóctones e quatro importados.

Nesta ocasião o coordenador do Programa Nacional de Luta contra o Paludismo aproveitou para chamar a atenção da população cabo-verdiana sobre as informações veiculadas pelo ministério e comunicação social e que tem a ver com a promoção e a prevenção da saúde.

“Para isso, precisamos evitar criadores intra e fora da casa das larvas do mosquito que transmite paludismo e outras doenças, bem como trabalharmos para evitar a acumulação de lixo e ser amigo do meio ambiente”, frisou.

Com o lema deste ano, a OMS quer destacar os avanços realizados e reflectir a visão de um mundo sem paludismo, conforme o estabelecido na “Estratégia técnica mundial contra o Paludismo – 2016-2030”, e, comprometer com a continuidade das intervenções e medidas para acelerar os progressos contra esta enfermidade.

Cabo Verde tem conseguido avanços importantes em matéria de luta contra o paludismo, estando numa fase avançada rumo ao processo de eliminação, que atende os objectivos traçados pela política nacional de saúde (em que se estabelece como meta a eliminação do paludismo no horizonte de 2020).

Neste dia, a directora regional da OMS para a África, Matshidiso Moeti, na sua mensagem oficial foca a atenção mundial no paludismo e no seu impacto devastador nas famílias, e no desenvolvimento das comunidades e apela aos decisores políticos a assumirem e a investir na prevenção e no controlo do paludismo.

O Relatório Mundial sobre o Paludismo 2017 documenta um aumento nos casos de paludismo em 2016, comparado com 2015, sendo que na África ocorreram 194 milhões de novos casos e 410.000 mortes em 2016.

Catorze países com o maior problema de paludismo em todo o mundo estão na África Subsariana e são responsáveis por 80% do fardo mundial. Muitos países não estão no caminho certo para alcançar as metas da Estratégia Técnica Mundial para o Paludismo 2016-2030.

As tendências gerais mostram que entre 2010 e 2016 os novos casos estimados de paludismo na Região Africana caíram 20% e as mortes devido ao paludismo decresceram 37%. Cinco países na Região (Etiópia, Gâmbia, Madagáscar, Senegal e Zimbabwe) estão entre os 16 a nível mundial em que se verificou um decréscimo nos casos e nas mortes devido ao paludismo em mais de 20% em 2015 e 2016.

Para além disso, seis outros países na Região (Argélia, África do Sul, Botsuana, Cabo Verde, Comores e Suazilândia) podem porventura eliminar o paludismo até 2020.

O Dia Internacional de Luta contra a Malária foi instituído pela Assembleia Mundial da Saúde na sua sexagésima sessão em Maio de 2007.

PC/ZS

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