Cabo Verde prevê ratificar em breve acordo de Paris sobre alterações climáticas

Cidade da Praia, 31 Mar (Inforpress) – Cabo Verde prevê ratificar em breve o acordo de Paris sobre alterações climáticas, disse hoje o ministro do Ambiente, durante uma conferência em que reafirmou aposta prioritária do país na produção de energias renováveis.

“Alinhamo-nos com todas as convenções internacionais que tem que ver com a sustentabilidade ambiental e Cabo Verde vai ratificar a breve trecho o acordo de Paris. Temos a nossas metas nacionais nesta matéria e a produção de energias renováveis faz parte dessas metas”, disse Gilberto Silva.

O Acordo de Paris foi assinado por 195 países em Dezembro de 2015 e entrou em vigor no ano seguinte, depois de ratificação por mais de 130 estados, incluindo Portugal.

O documento define como objetivo que as temperaturas médias globais até ao final do século XXI não subam mais de 02 graus Célsius, de preferência não mais de 1,5ºC, por comparação às registadas na era pré-industrial.

O ministro do Ambiente falava hoje, na cidade da Praia, perante uma plateia de especialistas cabo-verdianos e estrangeiros participantes numa conferência para assinalar os cinco anos da empresa de produção de energias renováveis Cabeólica.

“Contribuímos muito pouco para o aumento das emissões de gases com efeito de estufa – todo o continente africano não contribui com mais de 4,5% -, mas somos um país que sofre muito e temos muito fraca capacidade de fazer face aos efeitos das mudanças climáticas”, assinalou o ministro.

Por isso, sustentou Gilberto Silva, “a promoção de projectos que visam a produção de energias limpas e renováveis deve ser um dos objectivos prioritários de qualquer Governo de Cabo Verde”.
O ministro do Ambiente considerou ainda que, com 22% de cobertura de energias renováveis, Cabo Verde está “na primeira liga dos países com alta taxa de penetração” deste tipo de energia.
“O desafio das energias está no mesmo patamar que o desafio da água. Somos obrigados a ver estas políticas de forma integrada e a considerá-las prioritárias para o nosso país ‘ad eternum'”, sublinhou.
O ministro assinalou também a necessidade de fazer baixar os preços da energia no país.

“É fundamental que consigamos baixar o preço das energias em Cabo Verde. O desafio também tem que ser este se quisermos que seja um país economicamente competitivo e por esta via criar muito mais oportunidades em termos de investimentos, de emprego e de rendimento das famílias”, sublinhou.

Por seu lado, o administrador delegado da Cabeólica, Antão Fortes, apontou a contribuição da empresa, uma parceria público-privada que começou a funcionar em 2011, para as metas do país em matéria de energias renováveis.

“Cerca de 22% da eletricidade produzida e distribuída no país é de origem limpa e sustentável e é produzida e entregue à rede pela Cabeólica”, disse Antão Fortes.

Lusa/Inforpress/Fim