Cabo Verde precisa diversificar a sua economia rural – constata embaixador dos EUA

Cidade da Praia, 05 Set (Inforpress) – Cabo Verde deve diversificar a sua economia rural de modo a criar mais oportunidades para as mulheres chefes de família, considerou hoje o embaixador cessante dos Estados Unidos da América em Cabo Verde, Donald Helfin.

O diplomata fez esta constatação em declarações hoje à Inforpress em jeito de balanço da sua missão que ora finda, tendo sublinhado que as mulheres cabo-verdianas, especialmente as do mundo rural, não têm tido oportunidades e que existe ainda no país “a cultura do machismo”.

“As mulheres aqui são muito inteligentes, trabalham muito, mas infelizmente não têm tido oportunidades como nos outros países, sendo que 50 por cento (%) estão no sector dos recursos humanos”, defendeu o embaixador desafiando o país a diversificar a sua economia rural, a desligar-se um pouco da agricultura tradicional e apostar em programas modernos que permitam criar emprego e tornar as mulheres do campo independentes.

Por outro lado, avançou que no âmbito do African Growth and Opportunity Act (AGOA), Cabo Verde podia aproveitar para explorar o mercado norte-americano uma vez que pode exportar 7 % dos seus bens, mas infelizmente não tem feito nada nesse sentido porque o país está muito ligado a economia europeia.

Quanto à sua missão que ora termina, garantiu ter sido “muito boa”, pelo que parte com a certeza de os EUA vão continuar a apoiar Cabo Verde uma vez que existe uma história longa e um conceito de relação muito forte entre os dois países e povos.

Donald Helfin adiantou, por outro lado, que foi uma experiência muito enriquecedora e boa, uma vez que teve a oportunidade de visitar todas as ilhas, conhecer um pouco mais da cultura, do conceito de morabeza e que hoje considera-se um cidadão da Cidade da Praia e orgulhoso de ser um praiense.

Na ocasião, apresentou como marcos mais importantes, projectos de inclusão social, de empoderamento das mulheres, intercâmbio jovem como Mandela Washington Fellowship for Young African Leaders (YALI), programas de luta contra a Violência Baseada no Género (VBG), pondo tónica, no entanto, no segundo compacto do Millennium Cheleme Account-Cabo Verde (MCA-CV II) que, segundo disse, permitiu às famílias mais vulneráveis e do meio rural o acesso à água potável.

O embaixador, lembrou também, que os exercícios militares Epic Gaurdian 2016, formação com especialistas da Guarda Costeira norte-americana, programas de luta contra tráfico de pessoas, narcotráfico, lavagem de dinheiro, bem como o Simpósio – Africa Endeavor 2018 sobre segurança cibernética que, no seu entender, contribuiu para o reforço da cooperação entre os dois países.

Por tudo isso, Donald Helfin disse estar convicto de que os EUA vão continuar a apoiar Cabo Verde, e que para o futuro será necessário um programa “mais coerente” e “planeado” sobretudo a nível da segurança marítima.

Entretanto, mostrou-se também confiante de que Praia irá se transformar numa cidade de negócios e de oportunidades, sendo por isso necessário desenvolver os seus recursos humanos.

Donald Helfin lançou um repto a si mesmo, afirmando que daqui a 5 anos quando se reformar, irá escrever um livro sobre a história de Cabo Verde incluído a história da diáspora cabo-verdiana em Nova Inglaterra, e que daqui a 15 ou 20 anos quando regressar ao arquipélago, “quer que todas as mulheres sobretudo as no interior tenham água em casa”.

O embaixador Donald Helfin termina a sua missão na próxima segunda-feira, 10, após três anos e oito meses em Cabo Verde.

AV/FP

Inforpress/Fim