Cabo Verde precisa de 35 milhões de euros anuais para assegurar o mínimo de 40 litros de água diários por pessoa

Cidade da Praia, 22 Mar (Inforpress) – O ministro da Agricultura e Ambiente revelou hoje, na Praia, que Cabo Verde precisa de um investimento anual de 35 milhões de euros para conseguir disponibilizar o mínimo de 40 litros diários de água por pessoa.

Gilberto Silva fez esta revelação ao presidir à cerimónia de abertura da conferência promovida pela Agência Nacional de Água e Saneamento (ANAS) para assinalar o Dia Mundial da Água, que hoje se comemora sobre o tema central “Águas Residuais” e a campanha “Porquê gastar água?”, visando alertar para a necessidade da redução e reutilização das águas residuais.

“Segundo estimativas, o nosso país precisa de um investimento anual de 35 milhões de euros (cerca de 3.850 milhões de escudos), se quisermos atingir um nível de captação de um mínimo de 40 litros diários de água por pessoa e se quisermos fazer face à crescente demanda do turismo”, precisou o ministro, realçando o objectivo de curto prazo, da institucionalização de um fundo sectorial rotativo para água e saneamento.

Gilberto Silva reiterou que, para este fundo, o país já tem a parceria do Governo do Luxemburgo que disponibilizou 4,5 milhões de euros, mas que o Governo vai organizar uma mesa redonda para debater com os demais parceiros esse fundo que vai incluir um sistema de alavancagem de recursos financeiros e ter mais recursos para o sector.

Na óptica do governante, a escassez de água é “bastante preocupante”, tendo em conta o facto de a água potável existente não estar distribuída de forma uniforme e ser utilizada, normalmente, a nível doméstico, comercial e industrial, sendo que quaisquer desses usos alteram as suas características, transformando-a em águas residuais, impróprias para o consumo, e que o processo natural que as transforma de novo em água potável é bastante lento.

Esta preocupação, segundo o ministro, torna-se cada vez maior, sabendo que boa parte das águas residuais são poluídas, especialmente pela actividade industrial, agravando ainda mais a escassez e a qualidade deste líquido, motivo para sublinhar que, se não for invertida a situação, através da massificação do tratamento das águas residuais, o futuro da sociedade humana está “comprometido”.

“No que tange ao tratamento e reutilização das águas residuais, falta muito ainda para conceber e implementar no país” reconheceu, indicando a importância da resolução das necessidades em redes, ramais de ligação de esgotos e estações de tratamento, assim como fazer com que a água residual tratada seja efectivamente reutilizada com toda a segurança sanitária, nomeadamente na agricultura, como questões a serem resolvidas.

O Governo entende que Cabo Verde precisa adoptar mecanismos resilientes e boas práticas de modo a encontrar soluções entre as ilhas no domínio de água e saneamento, sustentando que para o efectivo desenvolvimento social e económico de Cabo Verde é preciso vencer os desafios da água e do saneamento.

Entretanto, de entre os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, Gilberto Silva entende que o arquipélago é um “caso especial”, já que enfrenta a escassez hídrica estrutural, mas assegurou que “notáveis esforços” foram feitos neste domínio, o que fez com que a situação melhorasse de “forma muito expressiva” nas últimas décadas.

“Foram concebidos importantes instrumentos de planeamento e estão sendo feitos grandes investimentos em matéria de água e saneamento, o que nos encoraja a prosseguir com os esforços e procurar vencer os grandes desafios que ainda nos colocam, cientes de que a falta de água não tem de ser uma fatalidade ditada pelos condicionalismos climáticos”, frisou.

Para o ministro, é preciso “afinar” e consolidar o quadro legal e institucional da água e saneamento, completar o planeamento estratégico e de acção no sector, fazer mais investimentos, não só para massificar os serviços de abastecimento, mas também para reduzir as perdas físicas e comerciais, aumentar a eficiência energética, melhorar a qualidade, imprimir maior justiça e inclusão no acesso à agua e saneamento, mas também reduzir o preço para que o país torne “mais competitivo”.

Presentes na cerimónia da abertura do evento estiveram o presidente da ANAS, Hércules Vieira, o director-geral da Unidade de Gestão do Millennium Challenge Account – Cabo Verde II (MCA-CV II), Hélder Santos, a encarregada de Negócios da Embaixada do Luxemburgo no arquipélago, Angèle da Cruz, quadros da administração pública, representantes das câmaras municipais, entre outros convidados.

DR/ZS

Inforpress/Fim