Cabo Verde já registou 167 casos de paludismo – coordenador

 

Cidade da Praia, 04 Set (Inforpress) – Cabo Verde já registou até hoje 167 casos de paludismo, sendo que 153 são autóctones e ocorreram na Cidade da Praia, e 14 importados nas ilhas do Sal, São Vicente e Santo Antão, revelou António Moreira.

O coordenador do Programa Nacional de Prevenção e luta contra Doenças Vectoriais, que falava aos jornalistas à saída da reunião sobre situação epidemiológica do paludismo no país, avançou que a vítima mortal registada é um marinheiro estrangeiro que contraiu a doença num outro país, e que chegou a Cabo Verde numa fase terminal.

“Foram registados 153 casos autóctones na Cidade da Praia e 14 importados, dois em Santo Antão, seis em São Vicente e três na ilha do Sal”, explicou o coordenador, sublinhando que, devido a actual situação que se vive na capital do País, todas as acções foram reforçadas.

Entretanto, esclareceu que os técnicos que estão no terreno têm a sensação e desconfiança de que os insecticidas utilizados nas campanhas estão com deficiência e não tem surtido o efeito desejado.

“Neste momento, estamos a fazer o estudo de sensibilidade do vector que irá avaliar a resistência do mosquito”, acrescentou, frisando que o mesmo terá a duração de 45 dias ou dois meses.

António Moreira que se mostrou preocupado com a situação, assegurou que vão continuar a trabalhar na luta anti-vectorial, na prevenção, na campanha de sensibilização e na formação, tendo sublinhando que o problema é transversal e requer o envolvimento de todos.

Por seu turno, o ministro da Saúde e Segurança Social, Arlindo do Rosário, reconheceu que o país está perante um surto epidémico de paludismo, tendo realçado que o mesmo deve ser combatido de forma intersectorial com o envolvimento de estruturas com responsabilidades nesta questão, mas também com o engajamento da população.

“Com a identificação dos viveiros e dos focos, e iremos actuar com acções concretas no terreno sentido de eliminar os vectores e situações propicias para o desenvolvimento dos mosquitos”, assegurou, sublinhando que “não houve um baixar de guarda” por parte das autoridades.

Assegurou que neste momento o Laboratório Nacional de Saúde Pública, com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), tem estado a fazer o estudo para avaliar a capacidade de resistência dos mosquitos aos produtos e o mapeamento da situação actual, frisando que é normal testar a resistência dos mosquitos e das acções.

Questionado sobre a medida da Direcção-geral da Saúde de Portugal, de aconselhar as grávidas a não viajarem para Cabo Verde, o ministro sublinhou que essas recomendações e orientações “são normais” em qualquer país.

Na ocasião, garantiu que vão continuar a trabalhar para que Cabo Verde fique livre do paludismo.

Os bairros com maior número de ocorrências são os da Achada Santo António, Achadinha, Ponta Belém e Lém Ferreira.

AV/AA

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