Cabo Verde foi o primeiro país da África que enfrentou a epidemia do vírus zika aplicando a sua experiência, OMS

Cidade da Praia, 26 Jul (Inforpress) – Cabo Verde foi o primeiro país da África que enfrentou a epidemia do vírus zika aplicando a sua experiência, comunicação e políticas de inclusão social das famílias e dos bebés afectados, disse hoje o representante residente da OMS.

Mariano Salazar Castelon fez essa consideração durante o discurso de abertura da acção de formação dirigida aos jornalistas e comunicadores sobre o tema “Comunicação de risco no contexto do zika” com enfoque na sensibilização sobre os aspectos de género, a decorrer no capital do país até sexta-feira.

Ainda de acordo com o representante residente da OMS, Cabo Verde encontra-se classificado pela organização na categoria dois da categorização dos países com vírus zika, que identifica áreas com evidência de circulação de vírus antes de 2015 ou com transmissão em andamento que não está mais na fase de nova introdução ou reintrodução, mas onde não há evidencia de interrupção.

Neste contexto, sublinhou, a epidemia da malária, dengue e zika mostraram claramente às entidades nacionais e aos parceiros, que as doenças transmitidas pelos mosquitos são, neste momento, a principal ameaça para a saúde dos cidadãos cabo-verdianos dentro da categoria de doenças transmissíveis.

Perante essa situação, afirmou, a mobilização da cooperação para a melhoria de respostas constitui sempre uma prioridade e, por isso, a OMS apoiou o arquipélago com um plano de preparação, respostas e recuperação para a epidemia do zika e o risco de outras arboviroses, aprovado e financiado pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).

O investimento financiado pelo BAD no montante de um milhão de dólares, conforme aquele responsável, vai servir para apoiar as várias vertentes deste combate, sendo uma delas a formação e comunicação.

Para o presidente do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), Tomás Valdez, o projecto da comunicação de risco é um dos “muitos eleitos” para dar resposta ao problema, visando a eliminação do mosquito vector das doenças arboviroses.

“A questão da comunicação, particularmente a de risco, é muito importante quando lidamos com respostas às doenças”, asseverou.

Já o administrador executivo do INSP, Júlio Rodrigues, considerou no seu discurso, que a comunicação social tem um papel “muito importante” na comunicação de risco e na sensibilização das pessoas.

“A população tem uma percepção razoável, pois, mais de 80% diz que conhece os meios de prevenção e como se transmite a doença, mas damos conta que na prática, entre o que se percebe e o que se faz, há uma diferença muito grande”, disse.

Na sequência da epidemia do Zika adoptou-se o “Plano de Comunicação de Risco e Engajamento Comunitário” para falar do engajamento comunitário e, para isso, o INSP entendeu que se deve adoptar uma forma de comunicação simples para que todos possam compreender e contribuir para a mudança de comportamento a favor da saúde.

Neste contexto, e tendo em conta a importância dos profissionais da área de comunicação social na abordagem sobre a comunicação em situação de risco/crise e/ou recorrência de epidemias e outras emergências em saúde pública, o INSP em parceria com a OMS, promoveu a acção de formação dirigida aos jornalistas e comunicadores visando reforçar os conhecimentos e competências em matéria de comunicação de risco.

Durante a acção de formação serão abordados temas como “Introdução à Comunicação de Risco”, “Comunicação de risco em situação de urgência”, “Mobilização social e engajamento comunitário”, “Papel e responsabilidade dos órgãos de comunicação social durante as urgências em saúde pública”, “Eixos estratégicos” e entre outros.

A epidemia de zika aconteceu nos finais de 2015 e meados de 2016, tendo sido registados mais de 7.500 casos suspeitos e 15 casos de microcefalia em bebés associados à infecção pelo vírus zika que são acompanhados por uma equipa multi-disciplinar.

PC/ZS

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