Cabo Verde em alerta devido ao aumento da febre do Nilo Ocidental na Europa

Cidade da Praia, 04 Set (Inforpress) – Cabo Verde está em alerta com o aumento da febre do Nilo Ocidental que está a invadir a Europa por ser uma doença provocada pela picada de mosquitos existente no país, disse hoje o director nacional da Saúde.

Em declarações à Inforpress, Artur Correia avançou que nesta situação, a função do Ministério da Saúde é garantir que a densidade dos vectores esteja a um nível baixo para que não haja risco de transmissão.

“Todo o nosso esforço no sentido de fazer pulverização intra-domiciliária, manter limpas as comunidades e dar combate aos viveiros dos mosquitos é para que a densidade do vector e mantenha-se num nível baixo e que ajude a diminuir o risco de transmissão”, disse.

Ainda segundo Artur Correia, quem fala do vírus da febre do Nilo pode também, acrescentar febre amarela, dengue, chikungunya, paludismo, ou seja, um conjunto de doenças provocadas por mosquito existente no país, pelo que o arquipélago “está condenado” a garantir a densidade vectorial a um nível abaixo do linear da epidemia.

Cabo Verde, explicou o responsável, está ligado a uma rede internacional em que recebe informações actualizadas sobre a doença, através do Regulamento Sanitário Internacional, para que possa estar apto para tomar medidas caso entre no país um possível contamino pelo vírus Nilo.

A Europa, neste momento, está em alerta com o aumento de casos de febre do Nilo Ocidental, transmissão que acontece, por norma, entre Julho e Outubro.

Dados do Centro Europeu para a Prevenção e Controlo da Doença indicam que, até esta semana, a Itália registou 327 casos, a Sérvia 213, Grécia 147, Roménia 117, Hungria 96, Israel 49 e França 11.

Quanto ao número de vítimas mortais foram registados 21 mortos na Sérvia, 16 na Grécia, 13 em Itália e há registo de uma morte em França.

O vírus do Nilo Ocidental é transmitido através da picada de mosquito. Ao contrário da maioria das infecções deste tipo, em que há uma ou duas espécies de mosquito envolvidas, este pode ser transmitido por mais de 50 espécies diferentes.

O reservatório da infecção é composto por aves, sobretudo migratórias e os mamíferos (incluindo o homem) são habitualmente hospedeiros acidentais do vírus.

O período de incubação da doença é de três a 14 dias e, em cerca de 80 por cento (%) dos casos, a infecção não apresenta sintomas. Nos restantes 20%, pode haver um quadro febril ligeiro a moderado e que desaparece ao fim de uma semana.

A maioria das pessoas ou não valoriza os sintomas ou pensa que teve uma gripe, sendo que apenas um por cento dos doentes pode ser afectado por sintomas neurológicos que caracterizam os quadros graves (meningites e encefalites) e cerca de 10% acaba por falecer.

Não existe tratamento antiviral específico para a febre do Nilo Ocidental. As pessoas diagnosticadas com esta infecção são habitualmente tratadas com medicação de suporte, nomeadamente antiálgicos, hidratação e antipiréticos.

Não existe vacina contra este vírus, nem prevenção com medicamentos, pelo que as autoridades recomendam evitar as picadas, com a utilização de roupas frescas, leves, mas que cubram o corpo, e de repelentes na pele exposta.

PC/CP

Inforpress/Fim