Cabo Verde elogiado em conferência regional sobre liberdade de imprensa por estar fora da lista de violações

*** Por Américo Antunes, no Gana ***
Acra, 01 Mai (Inforpress) – Cabo Verde foi alvo de elogios hoje, no Gana, e tido como “exemplo”, por ser o único país ausente de uma extensa lista de violações às liberdades de expressão e de imprensa nos países da África ocidental.

O contexto da liberdade de imprensa na sub-região africana, de Janeiro de 2017 a Abril de 2018, foi apresentado por Vivian Affoah, da MFWA, durante a conferência regional sobre liberdade de imprensa e desenvolvimento dos media, iniciativa da Fundação dos Media na África do Oeste (MFWA, na sigla em inglês).

A tabela é liderada pela Nigéria, com 45 ocorrências de violação da liberdade de imprensa, com o registo de quatro mortes, num quadro geral que aponta 160 vítimas de várias formas de violação nos países da sub-região, entre elas 138 jornalistas e 22 órgãos de comunicação social e outras organizações dos media.

A conferência registou durante o debate que a situação da liberdade de imprensa na região “não é fácil” e, comparado com anos anteriores, houve quem falasse em recuo, existindo embora outros, optimistas, que se socorreram da velha rábula do copo meio cheio/meio vazio, ao preferirem ver o copo meio cheio, já que “tudo é uma questão de evolução”.

Durante os debates, ao longo do dia de hoje, num dos hotéis de Acra, os defensores do recuo da liberdade de imprensa na sub-região justificaram a tese com o facto de os jornalistas terem “perdido muito”, sobretudo em dignidade, a palavra mais ouvida na reunião.

Para eles, a questão que se coloca é o que é que o jornalista está a fazer para que continue a ter essa dignidade que sempre teve, como líder social e das questões, e o respeito que tinha não só junto da classe política, como da sociedade, sendo que o contrário também é válido.

À colação vieram os fake news, os títulos de imprensa que pertencem ou a partidos políticos ou são “comprados” por empresas e por actores com interesses como terroristas, jiahdistas e traficantes, e a recomendação foi “reforçar a vigilância”.

A conferência chamou atenção ainda para que se tome “muito cuidado” em relação a textos de imprensa, pois há países com “leis bonitas, governantes aparentemente simpáticos”, mas que, no fundo, às vezes, não representam um “efectivo apoio” aos jornalistas e à liberdade de imprensa.

“Liberdade de imprensa e apoio ao jornalistas, neste caso”, concluiu a conferência, representam formação, fundos efectivamente dedicados à independência dos media, a eleição das chefias, a dignidade dos chefes de redacção, dos órgãos e das direcções, para que não sejam “meros fantoches” ou senão os “homens de mão” da classe política.

A MFWA tem a missão de promover e defender a liberdade de expressão de “todas as pessoas”, em particular os meios de comunicação social e os defensores dos direitos humanos na África ocidental.

A conferência regional contou com a presença do relator especial das Nações Unidas para a promoção e a protecção dos direitos de liberdade de opinião e de expressão, David Kaye, para além de dirigentes das organizações nacionais parceiras da MFWA e especialista em media dos 16 países da sub-região africana.

O encontro de hoje sobre liberdade de imprensa e desenvolvimento dos media na sub-região africana, concluído hoje, funcionou como espécie de antecâmara da celebração, este ano, também em Acra, quarta-feira, 02, e quinta-feira, 03, da Jornada Mundial da Liberdade de Imprensa (JMLP, na sigla em francês), com o tema “Media, Justiça e o Estado de Direito: os contrapoderes do poder”.

AA/JMV

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