Cabo Verde e Brasil unem-se para a realização do I Festival Internacional de Percussão

Cidade da Praia, 26 Jul (Inforpress) – O diretor-executivo do projecto Tambores do Mundo, Eduardo Escariz, afirmou hoje que a realização do I Festival Internacional de Percussão na cidade da Praia simboliza o resgate do tambor em Cabo Verde e o elo entre a música dos dois países.

Em declarações à imprensa, Eduardo Escariz disse que o I Festival Internacional de Percussão, que reúne músicos de diferentes partes do mundo, nomeadamente, Angola, Senegal e Espanha, é uma oportunidade de partilha de conhecimentos da cultura entre Cabo Verde e o Brasil.

“Esse encontro celebra a travessia do Atlântico no sentido contrário ao dos navios negreiros, do Brasil até Cabo Verde, para encontrar o elo entre a música dos dois países e isso é muito simbólico para toda a equipa do Tambores do Mundo”, explicou, afirmando este evento representa uma grande oportunidade de conectar Brasil com a suas origens e com Cabo Verde.

Conforme explicou, durante o mês de Julho, já foram ministrados workshops teóricos e práticos, cursos sobre construção de tambores, e ainda se prevê estágios para estrangeiros e também para a comunidade de Cabo Verde.

“A partir de amanhã vamos ter uma série de masters classes com ritmos cabo-verdianos, afro-baianos, angolanos e senegalês e a ideia é juntar o grupo das batucadas locais com os alunos que vieram da Europa para fazer uma apresentação no final onde cada um vai tocar o rítmico do outro”, avançou.

Por seu turno, o presidente do “Bloco Afro Abel Djassi”, Gamal Monteiro, que foi convidado para fazer parte no projecto, afirmou que o encontro das percussões é uma grande honra para Cabo Verde acolher este projecto.

“Para nós, a principal consequência positiva será a elevação do nível dos nossos percussionistas porque ao conviver com mestres dessa qualidade vamos conseguir com que dentro de um ano os nossos grupos de percussão estejam num nível muito elevado”, disse, declarando que é sempre bom adquirir mais conhecimentos sobre os ritmos que representam a africanidade.

O festival é promovido pelo projecto e bloco afro Tambores do Mundo, que em 2018 completa dez anos de fundação.

O Tambores do Mundo é um projecto de intercâmbio cultural que recebe alunos de todas as partes do mundo para uma vivência musical, cultural e social na comunidade do Curuzu em Salvador, local onde surgiu o bloco Ilê Aiyê, a mais tradicional agremiação afro da Bahia.

Durante quase um mês, os estrangeiros participam de oficinas musicais, dança e história da cultura afro-baiana.

O projecto traz essa oportunidade dos estrangeiros terem uma vivência profunda em Salvador, integrando-se à comunidade e conhecendo a realidade de Salvador, Brasil.

CM/JMV

Inforpress/Fim