Cabo verde beneficiou de exposições e experiências apesar do atraso em que se encontra no uso das tecnologias de informações – presidente da CNE

 

Cidade da Praia, 23 Nov (Inforpress) – A presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE) considerou hoje que Cabo Verde foi o maior beneficiário das exposições e experiências partilhadas, apesar do atraso em que se encontra quanto ao uso das tecnologias de informações.

Maria do Rosário Gonçalves fez essa consideração à imprensa, à margem do workshop sobre a “Utilização das novas tecnologias nos processos eleitorais”, evento promovido pela Comissão Nacional de Eleições, em parceria com a Rede de Instituições Eleitorais da Francofonia (RECEF), e que decorreu de 22 a 23.

“Nós utilizamos os equipamentos biométricos que todos os países já utilizam, que isso já não é novidade, enquanto outros países já usam novas tecnologias em outras fases de processo eleitoral, nomeadamente em acto de votação”, disse.

Referiu-se sobre experiências do Brasil e da Namíbia que já utilizam processos cem porcentos electrónicos, enquanto outros tem utilizado as novas tecnologias nas questões de contagem de votos, o que torna o processo muito mais célere e mais transparente.

“O que constatamos é que Cabo Verde começou cedo com a utilização das novas tecnologias, mas ficou estagnado, ou seja, desde 1989 a esta data avançamos muito pouco. É possível fazermos mais”, disse.

Apesar de considerar ser um processo difícil devido a problemas económicos, pois dotar eleições eleitorais de novas tecnologias exige muitos investimentos, Maria do Rosário Gonçalves falou também das dificuldades que tem surgido na questão da segurança , sobretudo no controlo dos softwares utilizados nos processos de votação electrónica e na divulgação dos resultados.

No caso de Cabo Verde, indicou, para implementar o processo electrónico será preciso faze-lo de forma gradual e continuo, e com realizações de experiências sucessivas até que seja adoptado ou não.

Conforme a presidente da CNE, o processo deve ser feito no país, para que o futuro das eleições, particularmente do país que é arquipelágico, seja uma realidade e sustentável.

Para isso, informou que já está sobre a mesa e na agenda politica o debate sobre o melhoramento do recenseamento para que seja automático, assim como fazer investimentos em termos de infra-estruturas, a nível de redes de Internet e de electrificação das localidades.

“Ficamos impressionadas, pela positiva neste encontro, com o uso das novas tecnologias, principalmente em África e nos países francófonos, que deixou bem claro que Cabo Verde estagnou desde 2008, utilizando apenas registos biométricos e mais nada”, afirmou.

Questionada se nas eleições de 2021 Cabo Verde poderá aplicar algumas das recomendações do ponto de vista tecnológico, Maria do Rosário Gonçalves adiantou que a urna electrónica não será possível, já que isso exige muito investimento financeiro, mas não descartou a possibilidade de se realizarem experiências com parcerias com países que já instalaram o processo.

O workshop contou com a participação de especialistas do Senegal, Mali, Gana, Guiné Conacry, Namíbia, África do Sul, Madagáscar, Brasil, Roménia, Jordânia, Iraque e Filipinas.

PC/JMV

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