Em Cabo Verde apenas 1% dos deficientes visuais usa Braille – Marciano Monteiro

 

Cidade da Praia, 04 Jan (Inforpress) – Em Cabo Verde, apenas 1 por cento (%) dos deficientes visuais conhece e utiliza o código de leitura e escrita denominada Braille, disse hoje à Inforpress o presidente da Associação de Deficientes Visuais de Cabo Verde (ADEVIC).

Marciano Monteiro fez essa consideração à Inforpresss, no âmbito da comemoração do Dia Mundial do Braille que se assinala a 04 de Janeiro.

Segundo o presidente da ADEVIC, a missão da associação nos últimos tempos tem sido a promoção do código alfabético táctil, através de acções de formações, publicações e mediateca rica de obras em Braille.

Isso porque, sublinhou, dos 13 mil deficientes visuais que existem no país, segundo o censo de 2010, apenas um por cento conhece e utiliza o código de leitura e escrita Braille.

“Do tempo em que começamos a desenvolver e a ensinar esse tipo de escrita e leitura deveríamos ter agora um número muito mais elevado de deficientes visuais conhecendo e dominando o código alfabético táctil, assim como a escrita”, disse.

O grande problema no ensinamento e expansão da leitura e escrita Braille, explicou, tem a ver com a situação geográfica do país e o facto da escola estar sedeada na cidade da Praia, dificultando assim que pessoas cegas de outros concelhos, interessadas em aprender, não tenham essa possibilidade.

Apesar disso, Marciano Monteiro congratulou-se com o interesse de algumas instituições e pessoas com sensibilidade em promoverem formação em Braille, publicarem livros no formato, assim como manuais escolares.

Neste domínio, o responsável mostrou-se satisfeito com a publicação em formato Braille de alguns extractos da Constituição e dos direitos de pessoas com deficiência visual, pois sustentou, “todos nós queremos ter um livro nas mãos, sentindo-lhe o cheiro, virando-lhe as páginas, em busca de novas revelações ou para reviver as sensações agradáveis do que já foi descoberto”.

Criado há quase 200 anos,  por Louis Braille, na França, o Braille tornou-se o meio indispensável na formação social e política de cegos, possibilitando o processo de alfabetização.

O sistema consiste em combinações de seis pontos em relevo, que permitem a representação do alfabeto, números e simbologias científicas, fonética, musicográfica e informática, garantindo que pessoas alfabetizadas neste sistema tenham acesso a informações diversas.

O Dia Mundial do Braille assinala o nascimento de Loius Braille, o criador do sistema de leitura e de escrita Braille, que permite, através do toque, facilitar a vida das pessoas invisuais e a sua integração na sociedade.

PC/JMV

Inforpress/Fim