Boa Vista: Deputado Walter Évora aceita repto do edil José Luís Santos para levantar imunidade e responder perante tribunal

Cidade da Praia, 13 Mar (Inforpress) – O deputado do PAICV para o círculo eleitoral da Boa Vista Walter Évora aceitou, hoje, o repto lançado pelo edil boa-vistense, José Luís Santos, no sentido de levantar a imunidade parlamentar para responder perante o tribunal.

Na sexta-feira, 09, o presidente da Câmara Municipal da Boa Vista anunciou ter entregue uma queixa-crime contra o deputado Walter Évora por injúria, calúnia e invasão de privacidade, na sequência de um ‘post’ colocado na rede social acerca de um terreno que, supostamente, a autarquia entregou à empresa de construção Oásis, propriedade de um dos vereadores, para liquidar uma dívida.

José Luís Santos pediu, na altura, ao deputado do principal partido da oposição para levantar a sua imunidade parlamentar e responder perante o tribunal.

Em conferência de imprensa hoje, na Cidade da Praia, para reagir ao pedido do edil boa-vistense, Walter Évora disse que reitera tudo que tinha dito, e afirmou que não vai permitir que o condicione no exercício da sua função enquanto deputado da nação.

“Caso o Ministério Público entender que existe matéria para um processo-crime, nós aproveitamos aqui para manifestar a nossa total disponibilidade para colaborar com a justiça para o cabal esclarecimento desse imbróglio que se meteu a Câmara Municipal da Boa Vista”, disse.

O deputado disse que, apesar de não acreditar mais na existência da imunidade parlamentar, tendo em conta os últimos acontecimentos, terá todo gosto em pedi-la para colaborar com a justiça.

Walter Évora sugere que a entrega dessa queixa mostra “algum desorientamento” e põe a nu uma “grande falta de preparação” de José Luís Santos para as funções que exerce actualmente.

“Vejam que é ele mesmo que vem confirmar os factos que nós relatamos e denunciamos na nossa rede da rede social Facebook. Ele confirma que, efectivamente, cedeu dois lotes terreno à empresa do seu vereador, confirma que um desses lotes já foi vendido por parte dessa empresa e agora vai tentar anular a venda, o que nos parece estranho essa queixa-crime”, disse o parlamentar.

O deputado questionou ao edil boa-vistense porque é que em vez de entregar lotes de terreno tão valiosos à “empresa do seu vereador”, não foi a própria câmara a vender esses terrenos, já que, conforme salientou, a instituição encontra-se em permanente estado de sufoco financeiro.

Por outro lado, questionou porquê que é de todas as entidades com as quais a autarquia tem dívidas, foi precisamente à empresa “do seu vereador” que ele faz essa concessão, deixando de parte os outros credores.

“Portanto, há muitas coisas a serem esclarecidas e nós queremos garantir à população da ilha da Boa Vista que não vamos recuar nem um milímetro”, disse salientando que o autarca vai ter de esclarecer essas e outras questões que neste momento está a investigar para entregar ao Ministério Público, tendo apontado para as obras do antigo cineteatro, também “executadas pela empresa do vereador” em causa.

MJB/CP

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