Autárquicas: Volvidos dois anos partidos políticos e cidadãos já se movimentam para o próximo pleito eleitoral

Cidade da Praia, 04 Set (Inforpress) – Há precisamente dois anos, a 04 de Setembro de 2016 eram realizadas as sétimas eleições autárquicas em Cabo Verde, que reforçaram o estatuto do Movimento para a Democracia (MpD) como maior partido autárquico.

De acordo com os resultados definitivos divulgados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) o MpD, que em Março tinha vencido as eleições legislativas, conquistou a liderança de 18 das 22 câmaras municipais e 19 assembleias municipais, enquanto o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) arrecadava apenas duas autarquias, menos seis das que tinha anteriormente.

Outras duas câmaras municipais ficaram nas mãos de grupos independentes, integrados por pessoas do MpD que, insatisfeitas com os resultados das eleições internas para escolha dos candidatos, decidiram deixar o partido e integrar candidaturas independentes.

É o caso do Movimento Basta de José Luís “Djaiss” Santos, na Boa Vista, que foi considerado “símbolo da coragem” das eleições autárquicas de 04 de Setembro de 2016. Insatisfeito com a escolha do partido, Santos que era deputado, entregou o seu cartão de militante para lutar e derrotar os candidatos dos dois partidos do arco do poder, o MpD e o PAICV.

Outro exemplo é o Grupo Independente Ribeira Brava, Um Município Renovado de Pedro Morais, que também nascido da ruptura com o MpD na sequencia da escolha do candidato do partido na Ribeira Brava.

Pedro Morais, entregou também o cartão de militante após negociações inconclusivas com o partido e se lançou numa corrida que se revelou triunfante – ao superar o próprio MpD e o PAICV que estava na câmara. Contudo na Ribeira Brava as vereações foram dividas entre os três partidos.

Os resultados de 2016 reforçaram o estatuto que o MpD já vinha ostentando, o de maior partido autárquico cabo-verdiano, as responsabilidades na condução do destino do país, nas palavras do seu líder, Ulisses Correia e Silva.

Já o PAICV experimentou a sua maior derrota de sempre, conquistando apenas duas das 22 câmaras municipais, designadamente Mosteiros na ilha do Fogo e Santa Cruz em Santiago. Perdeu São Filipe e Santa Catarina no Fogo, Porto Novo em Santo Antão, São Lourenço dos Órgãos, São Salvador do Mundo e Ribeira Brava.

Esses resultados, que se juntaram à derrota das legislativas levaram a líder do partido, Janira Hopffer Almada, a colocar o cargo à disposição, tendo posteriormente sido reeleita.

Depois dessa pesada derrota, o PAICV começou a se preparar cedo para as autárquicas. Na semana passada, durante a reunião da Comissão Política Nacional, foi marcado para os dias 28,29 e 30 o II Congresso autárquico, a ter lugar na Cidade da Praia.

Segundo o porta-voz da reunião, o partido está a trabalhar numa perspectiva de conseguir a maioria das câmaras do país nas próximas eleições.

Entretanto, tem havido outros posicionamentos de pretendentes à presidência de câmara municipal. É caso do economista Pedro Ribeiro, que quer governar o município de São Filipe e Luís Pires, ex-autarca desse município da ilha do Fogo que quer regressar às lides autárquicas.

Nas últimas eleições autárquicas estavam inscritos 131.019 e a taxa de abstenção situou-se em 41,7%, tendo a Cidade da Praia registado uma das maiores taxas (56.5 %).

MJB/FP

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