Inicio Internacional Austrália rejeita oferta da Nova Zelândia para acolher migrantes da ilha de...

Austrália rejeita oferta da Nova Zelândia para acolher migrantes da ilha de Manus

 

Banguecoque, 05 Nov (Inforpress) – O primeiro-ministro da Austrália, Malcolm Turnbull, rejeitou hoje a oferta da sua homóloga neozelandesa, Jacinda Ardern, que se comprometeu a acolher no seu país os migrantes que se encontram ‘encurralados’ na ilha de Manus, na Papua Nova Guiné.

O anúncio foi feito pelo próprio Malcolm Turnbull numa conferência de imprensa conjunta com a primeira-ministra da Nova Zelândia, que se encontra de visita oficial à Austrália, informou a cadeia televisiva ABC.

Turnbull agradeceu a oferta de Ardern – que já tinha sido, aliás, também feita pelo anterior executivo neozelandês –, afirmando que, primeiro, deve aplicar o acordo com os Estados Unidos, que se comprometeram a acolher 1.250 requerentes de asilo dos centros administrados pela Austrália em Manus, na Papua Nova Guiné, e na remota nação de Nauru, no Pacífico Sul.

A recém-empossada primeira-ministra da Nova Zelândia enfatizou que a oferta é “genuína” e que continuará “em cima da mesa” no futuro.

Aproximadamente 600 refugiados, requerentes de asilo recusam-se a abandonar um centro, que foi encerrado esta semana, em Manus, por receio de colocarem a sua segurança em perigo. Sem electricidade ou alimentos, os migrantes recolhem água da chuva, enquanto pedem para serem transferidos para países terceiros, recusando ser reencaminhados para outras partes do país.

O centro de detenção de migrantes de Manus, patrocinado por Camberra, fechou na sequência de uma decisão do Supremo Tribunal da Papua Nova Guiné que, em Abril, o declarou inconstitucional.

No final do mês passado, nas vésperas do encerramento, o ministro da Imigração da Papua Nova Guiné, Petrus Thomas, tinha pedido à Austrália para se responsabilizar pelas centenas de migrantes do centro de Manus que rejeitavam ser reencaminhados para outras partes do país, recordando Camberra que, à luz do acordo bilateral vigente, essa não era uma obrigação do seu país.

“Eles continuam a ser responsabilidade da Austrália, [cabendo-lhes] encontrar opções em terceiros países e entrar em contacto com os respectivos governos dos [catalogados como] não-refugiados para proceder à repatriação voluntária ou involuntária”, disse então o ministro.

A Austrália reactivou, em 2012, a sua controversa política para a tramitação em terceiros países dos pedidos de migrantes que viajam para o seu território em busca de asilo e acordou a abertura de centros de detenção na Papua Nova Guiné e em Nauru.

A ONU e grupos de defesa dos direitos humanos têm criticado estes centros de detenção, qualificando de desumanas as precárias condições em que vivem os migrantes e os abusos de que são alvo.

Muitos dos detidos nos centros de Manus e Nauru fugiram de conflitos como os do Afeganistão, Darfur, Somália ou Síria, sendo que outros procuraram escapar à discriminação ou à condição de apátridas, como as minorias rohingya, da Birmânia, ou bidun, da região do Golfo.

Os migrantes, na sua maioria considerados refugiados, foram transferidos para Manus e Nauru depois de terem sido interceptados pelas autoridades da Austrália quando tentavam alcançar de barco a costa daquele país que se nega a acolhê-los.

Lusa/Fim