Associação Pilorinhu quer criar plataforma digital para disponibilizar serviços turísticos

Cidade da Praia, 07 Ago (Inforpress) – A Associação Pilorinhu encontra-se a trabalhar para criar uma plataforma digital que permita disponibilizar informações dos projectos implementados e serviços turísticos da comunidade, revelou hoje a coordenadora do projecto “Xalabas-de kumunidade”, Mariangela Fornato.

Em declarações à Inforpress, a responsável explicou que a iniciativa está inserida no projecto “Xalabas-di kumunidadi”, financiado pela União Europeia em 50 mil contos e implementado pela Associação Pilorinhu e África 70 em parceria com Câmara Municipal da Praia.

Implementado nos bairros da Achada Grande e Lém Ferreira, num período de 36 meses, o projecto tem por objectivo contribuir para uma maior integração das comunidades no desenvolvimento do turismo sustentável em Cabo Verde, através da ampliação e diversificação da oferta turística, reforçar a capacidade das comunidades na intervenção das suas organizações visando a participação activa no processo de promoção do auto emprego no sector do turismo comunitário.

Mariangela Fornato avançou que o projecto teve o início em Setembro de 2017 e que a sua implementação tem decorrido muito bem uma vez que conseguiram implementar uma série de acções e actividades, sendo que neste momento estão a trabalhar na criação de uma plataforma de bairro digital, que irá permitir as pessoas conhecer o bairro, ter informações da comunidade e dos serviços turísticos disponíveis.

“Por um lado, as pessoas podem reservar um quarto, programar uma visita, encomendar um serviço ou produto disponível no bairro, conhecer a experiência de Pilorinku enquanto associação activista”, revelou a coordenadora que avançou que o objectivo é montar um TV Web que permita produzir pequenos documentários e notícias para divulgação, tendo realçado que pretendem apostar também nas rádios comunitárias.

Para criação da plataforma e da TV Web, indicou que alguns jovens da comunidade receberam uma formação em multimédia a nível da televisão, rádio e vídeo e que neste momento todas as actividades estão a ser documentadas.

Segundo explicou, a nível do turismo, o projecto engloba o programa de turismo voluntariado, programa de turismo comunitário, e irá permitir ainda a confecção e produção de serviços e produtos para o mercado turístico, criação de uma marca própria, criação de circuito e roteiro gastronómico.

“A nível de requalificação urbana, iremos identificar quais são as áreas mais problemáticas, aquelas com mais potencialidades para fazer alguma acção de auto transformação, requalificar e melhorar alguns restaurantes já existentes e a questão higiénica”, acrescentou.

Mariangela Fornato sublinhou que fizeram também um trabalho de investigação de identidade dos lugares, de modo a saber qual a visão que as pessoas têm do próprio bairro, da cidade, procurar os elementos que existem e ver se as pessoas reconhecem esses elementos como valores.

“Por um lado, estamos a levantar o auto estima dos moradores, e por outro pretendemos lançar a imagem do bairro de Achada Grande para dentro e fora do país”, precisou a responsável que disse que não é algo fácil, mas também não é impossível sendo que existe um potencial muito significativo a nível do turismo, mas falta criar as condições e possibilidades para que as pessoas possam visitar os bairros.

Outra questão que considerou ainda importante, é a componente da arte urbana que, no seu entender, será um elemento chave para a criação de um roteiro de arte urbana, uma vez que vai melhorar a estética e imagem do bairro mas também trazer outros artistas com interesse nesta arte.

Realçou que a mesma vai trabalhar com a população a identidade e coesão social através de workshops e de um festival previsto para o último ano do projecto.

Assegurou que ate o final do projecto, serão realizados oito workshop de residência artística com duração de 10 a 15 dias, e que estão a trabalhar para que as pessoas possam passar férias ou um período de voluntariado no bairro e a seleccionar algumas habitações para que os moradores possam receber os visitantes.

“Durante os 15 dias, os artistas vão morar no bairro, falar, viver, e conviver com a comunidade e famílias, mas no primeiro workshop foi impossível encontrar uma família disponível ou disposta a receber uma pessoa que não conhece”, adiantou frisando que hoje existe uma lista de famílias dispostas a receber os artistas.

“Xalabas” é a marca do projecto, das actividades e dos produtos, surgiu na comunidade a partir das dinâmicas com os moradores que identificaram o “xalabas”, instrumento tradicional de pesca artesanal, como um símbolo que remete à identidade do lugar, à ligação ao mar e à pesca, e que simboliza o acto de juntar e de levantar, assim como o esforço quotidiano para o sustento da comunidade.

O projecto conta com 90 por cento (%) de financiado da União Europeia e 10% da Associação Pilorinhu e terá a duração de três anos.

AV

Inforpress/Fim