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Artista Benvas d’Strong exorta todos os músicos cabo-verdianos a registarem as suas obras

Cidade da Praia, 04 Set (Inforpress) – O presidente da Associação dos Músicos de Santa Cruz (ilha de Santiago), Benvas d’Strong exortou hoje todos os compositores, artistas, e intérpretes da música cabo-verdiana a registarem as suas músicas como forma de valorizarem as suas obras.

Músico reconhecido pela forma como defende a divulgação do funaná, natural de Santa Cruz, zona conhecida como terra da origem deste ritmo musical tradicional de santiago (funaná) e que já leva uma longa carreira musical, Benvas d’Strong acredita que “em regra geral os músicos já estavam a perder confiança em expor as suas obras, mas com o registo e sinais de alguns prémios, volta-se a ganhar de novo mais confiança”.

Conforme explicou este vocalista, isto leva com que hoje os artistas já se interessem pelo registo das suas músicas junto da Sociedade Cabo-verdiana de Música, e nessa linha a Associação dos Músicos de Santa Cruz, “aproveita esta oportunidade para valorizar também as suas criações”.

“A valorização dos direitos autorais em Cabo Verde, finalmente chegou e em boa hora. Neste momento Santa Cruz tem estado a receber sinais evidentes e claros de um trabalho projectado para a preservação da música cabo-verdiana e, sobretudo dos seus autores”, disse, realçando a forma como se está a envidar esforços para albergar todos os músicos.

Disse, por outro lado, que os músicos de Santa Cruz estão dispostos e empenhados, para juntamente com a SCM divulgar os seus trabalhos, de forma a serem reconhecidos pelo mundo inteiro.

“(…) Doravante, os compositores que por muito tempo estiveram na clandestinidade terão os seus direitos reconhecidos e premiados pelos seus êxitos”, enfatizou.

A título de exemplo, disse que hoje em dia basta um artista, ou um tocador, participar numa obra discográfica para ser recompensado, principalmente em caso de atribuição de alguma distinção/premiação, o que, a seu ver, dá um novo incentivo, quer aos tocadores, quer aos vocalistas para serem agraciados.

“É um momento de grande história para a música cabo-verdiana. Com todas estas condições, os músicos deixam de ser penalizados”, assevera Benvas, para quem “Santa Cruz tem músicos de grande qualidade e em diversos estilos que continuam a reclamar por um melhor reconhecimento das suas obras.

Com mais de 20 anos de palco, Benvas que se consagrou no conjunto “Strong” de Santa Cruz, estruturado a partir dos instrumentos musicais herdados ao malogrado guitarrista, anunciou para 2019 o encerramento da sua carreira com o lançamento de uma nova obra discográfica.

Vai ser um álbum, avançou, com 16 faixas musicais, “uma obra mais trabalhada, totalmente ao estilo do funaná e dedicado a Carlos Alberto Martins “Catchás”, a quem atribuí o título do grande mentor do funaná estelizado.

Segundo Benvas, algumas das melodias deste álbum já estão a ser gravados, ao estilo de Catchás, ao mesmo tempo que se regozija pelo facto de os agrupamentos que outara representaram a música tradicional cabo-verdiana, como Bulimundo e Tubarões estarem de volta aos palcos.

Benvas, considerado “um grande seguidor” de Catchás, fez questão de “tranquilizar” a comunidade musical cabo-verdiana e não só, explicando que a estátua de Catchás situada no Largo Bulimundo, em Pedra Badejo, “nunca foi vandalizada, mas sim tombou porque já dava sinais de deterioração”.

Conforme realçou ainda, o artista goza de uma popularidade jamais vista nestas terras, quanto mais em santa Cruz, terra que o viu nascer, pelo que seria impossível de todo um acto desse teor.

SR/FP

Inforpress/Fim