ANESP diz que greve convocada para esta quinta-feira é ilícita e vai pedir intervenção do poder judicial

Cidade da Praia, 16 Mai (Inforpress) – O presidente da Associação Nacional das Empresas de Segurança Privada (ANESP) classificou hoje de “ilícita” a greve de 17 horas dos seus funcionários, convocada por dois sindicatos para iniciar esta quinta-feira, 17.

Em conferência de imprensa hoje, na Cidade da Praia, Francisco Santos Nascimento, que se fazia acompanhar dos membros de direcção da ANESP, indicou que a greve foi convocada pelo Sindicado da Indústria Geral, Alimentação, Construção Civil, Agricultura e Serviços Afins (SIACSA) e o Sindicato da Indústria, Serviços, Comércio, Agricultura e Pesca (SISCAP).

“Entendemos que este não é o momento oportuno para a realização da greve, uma vez que foi assinado recentemente um acordo colectivo de trabalho em que os dois sindicatos o rubricaram e os pontos que reivindicam estão dentro do próprio acordo, daí entendemos que esta greve é extemporânea”, afirmou.

Neste sentido, o presidente da associação anunciou que a ANESP vai pedir um parecer jurídico e suscitar junto do poder judicial a ilegalidade da referida greve, uma vez que os dois sindicatos rubricaram o acordo e querem agora alterar o mesmo sem completar o prazo que são de 10 meses.

“As empresas entendem que realmente é necessário valorizar o sector para que os vigilantes tenham um salário mais condigno e justo pelo trabalho prestado. Mas é lógico que caso a greve for decretada ilegal, haverá consequências pelas pessoas que aderiram à mesma”, lembrou o presidente Francisco Santos Nascimento.

No dia 14 de Maio, a reunião de “conciliação” realizada sob a mediação da Direcção-Geral do Trabalho não chegou para evitar a greve de 72 que está agendada para esta quinta-feira, por falta de consenso entre os sindicatos e a Associação Nacional das Empresas e Segurança Privada.

Na altura, em representação dos sindicatos, o presidente do SIACSA, Gilberto Lima, disse que “já se passaram os 30 dias que a lei prevê” para a entrada em vigor da implementação do acordo colectivo do trabalho” que recomenda a actualização da grelha salarial e que “os ânimos dos vigilantes já começaram a exaltar-se”, pelo que as organizações sindicais não têm como inverter esta situação.

Gilberto Lima acusou as empresas de segurança privadas de não terem dado mostras para a resolução destes problemas “que se arrastam desde Janeiro, apesar de se desdobrarem em reuniões e encontros”, tendo avisado que os vigilantes “querem ver os seus salários melhorados em todas as categorias profissionais”.

O acordo colectivo foi aprovado desde 25 de Fevereiro e publicado a 27 de Março, sendo que a grelha salarial dos cerca de 4 mil vigilantes privados deveria ser actualizada a partir de 1º de Janeiro de 2018.

Entretanto, Francisco Santos Nascimento disse que as empresas de vigilantes privadas vão tratar de providenciar os serviços mínimos para que as empresas possam acatar com as suas responsabilidades assim como cada uma das partes envolvidas para se poder actualizar a grelha salarial, passando os vigilantes a receber 17 mil escudos.

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