Espargos, 20 Mar (Inforpress) -  O administrador-delegado da empresa mista de saneamento, Salimpa, na ilha do Sal, refuta acusações do presidente da Câmara Municipal, Júlio Lopes e acusa a autarquia de estar a dever à empresa de limpeza urbana mais de 20 mil contos.

Rui Ramos reagia assim em entrevista à Inforpress, na sequência das declarações do presidente da Câmara Municipal do Sal, Júlio Lopes, que culpa a Salimpa de não estar a cumprir com a “performance” da empresa de limpeza urbana, daí a situação de lixo na ilha turística.

Segundo este responsável, “não há” qualquer registo de exigência de cumprimento de qualquer obrigação por parte deste executivo municipal e “muito menos” que não tenha sido objecto de tratamento adequado.

Ramos explicou que a Salimpa tem um contrato de concessão aprovado pela Câmara Municipal e cujas bases foram aprovadas pela Assembleia Municipal por unanimidade que define “claramente” as obrigações de ambas as partes e atribui poderes à Câmara Municipal para fiscalizar a acção da Salimpa e o cumprimento das suas obrigações.

“Ao contrário sim, há incumprimento contratual da Câmara Municipal do Sal, que em 31 de Dezembro de 2016 devia à Salimpa mais de 20.000.000$00 e foi notificada para sanar o incumprimento pagando os montantes em mora, o que ainda não aconteceu, pois a dívida tem vindo a aumentar”, apontou.

Admitindo, por outro lado, que o resultado arrecadado da taxa de lixo é suficiente para melhorar a "performance" da empresa, Rui Ramos adverte, entretanto, que seria necessário que todas as taxas fossem cobradas.

“O problema esta aí. Em 2010, a Câmara cobrava apenas 32% das taxas que emitia o que representava 29% do custo do sistema de recolha de lixo e limpeza urbana do Sal. Em 2016, por acção da Salimpa depois de ter a concessão do serviço de cobrança, foram cobradas 70,5% das taxas emitidas o que representa 63% do custo do sistema, apesar do custo ter aumentado com a implementação da recolha aos domingos”, aclarou.

Ao fazer esta análise, segundo o administrador-delegado, significa que cerca de 30% das taxas emitidas não são cobradas e “nada acontece”.

Contrariamente aos dados estatísticos anunciados, Rui Ramos aponta que nos últimos 6 meses, a média diária ultrapassou as 33 toneladas de lixo.

Porém, disse, se se considerar apenas os dados de 2017, a recolha ronda as 35 toneladas/dia, havendo dias em que a recolha chega a atingir quase 50 toneladas de lixo em toda a ilha.

Perante o cenário, admitindo que os meios e equipamentos que a Salimpa dispõe não são suficientes para fazer face à demanda diária, Rui Ramos indicou que a administração fez uma proposta de antecipação de investimentos que rondam os 50 mil contos à Assembleia-Geral.

“Os dados de que dispomos revelam que quer em termos de habitantes e turistas quer em termos de produção de lixo, o Sal atingiu em 2016 os valores que se previam alcançar em 2020”, explicou.

Assim, caso seja aprovado, Rui Ramos disse que a Salimpa será reforçada com mais uma viatura de recolha, equipamento para melhorar a limpeza urbana e mais 200 contentores, para além da unidade de triagem e de uma unidade de produção de Biodiesel para as respectivas viaturas, “já licenciada”, junto da Direcção Geral do Ambiente (DGA).

Entretanto, realçou que adquiriram um equipamento para compactar os resíduos no aterro da ilha, que é único no país, e mais recentemente uma Unidade de Triagem de lixo, que chegará a Cabo Verde em Abril, para melhorar o sistema de deposição e reciclar a maior parte do lixo que a ilha produz. Isto não é estar à altura de dar resposta à demanda? Recolher quase o triplo do lixo em apenas 7 anos?”, questionou em tom de lamento.

O administrador-delegado, anuncia, para finalizar, que a Salimpa está a preparar um plano de educação ambiental, a iniciar-se nas escolas e seguindo para campanhas de sensibilização junto das comunidades.

Considerando que a situação não é exclusiva dos pontos de recolha urbanos, a mesma fonte adverte que há alguns hotéis onde o lixo é armazenado sem quaisquer condições de manuseamento, pondo em risco a saúde dos trabalhadores da empresa, enquanto os contentores ficam vazios.

“Temos documentos dessas situações e serão apresentadas aos accionistas na próxima Assembleia-Geral. Temos certamente falhas, mas esforçamo-nos com a dedicação de muitos excelentes profissionais que connosco trabalham para estar à altura da satisfação das necessidades dos salenses”, concluiu.

SC/FP

Inforpress/Fim

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