Cabo Verde implementa medidas para tornar agricultura mais resiliente e ajudar famílias a combater mudanças climáticas

 

Cidade da Praia, 21 Ago (Inforpress) – Cabo Verde, por ser um país insular, que se tem tornado cada vez mais vulnerável, devido às alterações climáticas, tem por necessidade implementar medidas que tornam a agricultura mais resiliente em relação as essas mudanças.

A afirmação é do ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, na cerimónia, hoje, da apresentação oficial do “Projecto de Adaptação da Agricultura Familiar às Mudanças Climáticas”,  a ser executado pelo Programa de Promoção de Oportunidades Socio-económicas Rurais (POSER).

Segundo Gilberto Silva, implementar essas medidas significa, na prática, gerir melhor a água, conservar melhor os solos, adoptar técnicas e organização que permitam a exploração muito mais durável desses recursos naturais.

Neste âmbito, disse, o projecto ora apresentado vai actuar em algumas ilhas e vai ter na sua especificidade uma abordagem por bacia hidrográfica, onde a aposta será em medidas concretas que têm a ver com a água e a conservação de solos.

“Vamos apostar em criação de modelos que permitem vulgarizar e adaptar, gradualmente, a nossa agricultura, para que seja muito mais resiliente. Há que garantir o futuro da agricultura numa base sustentável e isto também faz parte dos ODS, da agenda 2030, que está plasmada no PEDES de Cabo Verde”, afirmou.

Ainda segundo o governante, o projecto hoje apresentado não se desassocia de muitas outras medidas e projectos institucionais que estão em curso, justamente para transformar a agricultura cabo-verdiana e torná-la mais sustentável e rentável.

A intenção, explicou, é contribuir para o aumento do rendimento das famílias, redução da pobreza e crescimento económico do país.

Por esta razão, lembrou que o público alvo do projecto serão os agricultores, as famílias que praticam a agricultura nas ilhas alvo do projecto, destacando que o programa contém medidas estruturantes que beneficiam todo o sector agrário.

Participaram no lançamento oficial do projecto o director da Divisão para a Área do Centro e Oeste da África, Luyaku Nsimpasi, e o Coordenador Regional para o Programa do Ambiente e Clima na FIDA, Amarth Patih.

O programa tem como objectivo fazer face às consequências da vulnerabilidade do país em matéria de mudanças climáticas, assim como fortalecer a capacidade dos pequenos agricultores quanto aos efeitos crescentes desse fenómeno.

Os principais eixos de intervenção do projecto vão ao encontro das acções que permitam a utilização de águas superficiais disponíveis nas barragens, a mobilização de águas subterrâneas a partir de furos já existentes, mas não equipados e redução do custo de bombagem , com a substituição do sistema de alimentação eléctrica pelo sistema de energia fotovoltaica.

O “Projecto de Adaptação da Agricultura Familiar às Mudanças Climáticas” vai abranger 10 localidades, sendo que na ilha de Santiago inclui Figueira Gordo, para 80 famílias (Santa Cruz); Longueira e Covoada 106 famílias (São Lourenço dos Órgãos); Veneza, em São Miguel, para 180 famílias e São João Batista (Ribeira Grande de Santiago) , para 334 famílias, todas zonas de bacias Hidrográficas.

Na Ilha do Fogo, o projecto abrange a zona Norte de São Filipe, beneficiando 60 famílias e o município de Santa Catarina, na Cabeça Fundão, abrangendo 150 famílias.

Em São Nicolau, serão beneficiadas as localidades de Canto Fanjã (130 famílias) e Queimada (60 famílias), e a localidade de Ribeira Prato, do município do Tarrafal, contemplando 80 famílias.

Na ilha Brava, o programa beneficia a localidade de Fajão, abrangendo 35 famílias.
Segundo os resultados do ultimo recenseamento agrícola, os cabo-verdianos usam hoje para agricultura cerca de 36.451 hectares de terra, o que representa 9,3% do território nacional.

Ainda o recenseamento, esta superfície é ocupada por um total de 45,514 exploradores agrícolas, sendo 99,7% do tipo familiar.

PC/JMV

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