Adiamento do debate sobre regionalização era a única solução que tinha o MpD – Presidente do PAICV

Cidade da Praia, 21 Jun (Inforpress) – A presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV – oposição) disse hoje que o adiamento do debate sobre a regionalização era a única solução que o MpD (poder) tinha se, efectivamente, quer viabilizar esta questão.

“O PAICV sempre se manifestou aberto ao diálogo e se disponibilizou para, em sede da comissão paritária, analisar os dois projectos, a proposta do Governo e a nossa”, precisou Janira Hopffer Almada.

Na sua perspectiva, é necessário que haja “maturidade suficiente e, sobretudo, vontade política” para se dotar o país de melhores instrumentos para a “promoção do seu desenvolvimento equilibrado”.

A líder do PAICV fez estas declarações à Inforpress, reagindo ao anúncio, esta quarta-feira, do grupo parlamentar do Movimento para a Democracia sobre o adiamento, para Outubro próximo, do debate relacionado com a regionalização.

O porta-voz da bancada da maioria, João Gomes, justificou o adiamento alegando que querem dar ao PAICV “mais uma oportunidade” para debruçar sobre o tema e não dizer que o partido que sustenta o Governo quer discutir à força a regionalização e fugir das suas responsabilidades.

O debate sobre a regionalização devia acontecer na sessão plenária que se inicia na próxima segunda-feira, 25.

“Reitero a nossa disponibilidade para o diálogo com vista a dotarmos o país das melhores propostas, porque, no fundo, é isto que o país e o povo esperam”, declarou a líder do maior partido da oposição.

Instada se fez bem o grupo parlamentar do MpD ao adiar a discussão sobre a regionalização, respondeu nestes termos: “O MpD tomou o único caminho que seria possível e expectável para, efectivamente, haver condições para se discutir esta matéria”.

Na conferência de representantes, prossegue a líder da oposição, quando a maioria insistiu no agendamento do debate sobe a regionalização, “alertámos que ainda não estavam reunidas as condições para o efeito, uma vez que a comissão paritária não se tinha reunido para debruçar sobre as duas propostas” que se encontram no Parlamento.

“Enquanto titulares de cargos políticos, com responsabilidade perante o povo e o país, devemos nos sentar à mesa de negociações e ter a capacidade de aproximar as posições para podermos encontrar os melhores caminhos que este país tanto precisa”, declarou a presidente do partido “tambarina”, para quem o povo deve ser auscultado nessa matéria.

Segundo ela, o poder deve estar, sim, mais perto do povo, mas garantindo também que o “Estado seja dimensionado na medida que a economia pode pagar e que os cabo-verdianos possam suportar”.

Perguntada se a regionalização deve ser referendada, Janira Hpffer Almada afirmou que em nenhum momento defendeu que este assunto deve depender do referendo, mas que acha ser “irrazoável que o chefe do Governo eleito pelo povo tenha tanta resistência em ouvir o povo numa matéria tão importante”.

“Nas matérias que têm impacto na vida de um país por várias gerações, são os próprios governos que querem ouvir o povo até para uma partilha das responsabilidades”, concluiu a presidente do PAICV, lembrando que o seu partido defende a regionalização administrativa enquadrada numa “ampla e profunda reforma do Estado”.

Para a dirigente “tambarina”, não se pode “onerar os cabo-verdianos com mais custos de funcionamento de estruturas e, consequentemente, com mais impostos”.

LC/CP

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