ACS defende formação profissional e uma profissão condigna para as pessoas com surdez (c/áudio)

Assomada, 07 Set (Inforpress) –  A presidente da Associação Cabo-verdiana de Surdos (ACS) defendeu hoje em Assomada, a necessidade de se investir na formação profissional, para que   as pessoas com surdez possam ter uma profissão condigna.

Helena Augusta Tavares, que falava à imprensa no âmbito das comemorações alusivas ao Dia do Surdo Cabo-verdiano e 6º aniversário da ACS, assinalados esta sexta-feira, afirmou que vão continuar a lutar para que os surdos cabo-verdianos possam ter “uma formação profissional e uma profissão digna”.

Mesmo admitindo que isso constitui um desafio, fez saber que a ACS está a trabalhar no sentido de elaborar projectos para ver que consegue eliminar esses dois obstáculos [formação profissional e profissão digna] e ajudar os surdos.

Apesar desses “obstáculos”, Helena Augusta Tavares destacou o facto de hoje em Cabo Verde terem surdos em universidades, a aprenderem a língua gestual cabo-verdiana e com experiências na área da pintura como é o caso da ilha do Sal.

A propósito da língua gestual cabo-verdiana, que segundo ela está a desenvolver-se, adiantou que o dicionário de suporte se encontra na fase de conclusão, ou seja, ajuntou que falta apenas algumas “correcções e ajustes”, sem, no entanto, avançar uma data para a sua apresentação.

Embora a língua gestual esteja a evoluir em Cabo Verde, a também professora, que falava com os jornalistas através de uma intérprete, apontou ainda, como desafio, a inexistência de intérpretes nas “instituições chaves” [centros de saúde, bancos, escolas, hospitais], que no seu entender iria “facilitar”’ na comunicação.

A presidente da ACS, Helena Augusta Tavares, lamentou, por outro lado, o facto de os surtos das outras ilhas não estarem a beneficiar das mesmas oportunidades que os da ilha de Santiago, devido a situação geográfica do país, que não os permite juntar também os surdos.

Para que possam ter a inclusão, propôs a criação de salas de aulas maiores e uma escola para os surdos.

Relativamente à escola para os surdos, um projecto que querem que se torne realidade, lembrou que têm um terreno em Terra Branca na Cidade da Praia, mas que ainda não têm financiamento para a execução da obra.

De acordo com esta responsável, esta escola para surdos vai permitir também que os deficientes das outras ilhas possam ali estudar e beneficiar das mesmas oportunidades dos da ilha de Santiago.

Em relação aos seis anos da caminhada da ACS, a responsável disse que “estão a aprender e que não tem sido fácil”.

Praia, Santa Catarina e ilha de Fogo são as ilhas e concelhos onde existem “escolas de referência” para os surdos em Cabo Verde.

Na ocasião, informou que o Governo os tem apoiado, através do Ministério da Educação Família e Inclusão Social e que outras instituições também têm “abraçado” esta causa.

Para assinalar a efeméride, a associação tinha em curso desde segunda-feira, mais uma colónia de férias que culminou hoje, cujo balanço Helena Augusta Tavares considera “positivo”, tendo destacado o facto de a mesma ter permitido o convívio entre as pessoas com surdez e que elas possam adquirir também os conhecimentos da língua gestual cabo-verdiana.

Durante uma semana proporcionaram várias actividades, desde pintura, teatro e dança, às 40 crianças e 35 jovens das ilhas de Santiago (Praia, São Salvador do Mundo, Santa Cruz e Santa Catarina) e da ilha de Fogo.

FM/FP

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