100 anos de Tarrafal: Munícipes consideram que houve um desenvolvimento, mas não tanto como desejado

 

Tarrafal, 24 Abr (Inforpress) – Os tarrafalenses consideram que o município do Tarrafal registou algum desenvolvimento durante estes cem anos de vida, mas que ainda falta dar um salto maior a nível da pesca, agricultura, turismo e segurança.

No âmbito da comemoração do centenário deste município, a Inforpress abordou alguns tarrafalenses, que sonham um dia ver este concelho num outro patamar, onde os jovens estejam todos empregados, haja promoção do turismo e que o ex-campo de concentração seja elevado a Património da Humanidade.

Para o citadino Amaro Rodrigues, quem conheceu Tarrafal nos anos 70 vê logo que houve um “grande desenvolvimento”, entretanto, não “tanto como gostariam”.

“Tarrafal poderia ter desenvolvido muito mais, mas espero que tendo em conta o cenário que vivemos hoje, acredito que vai desenvolver ainda mais. Devemos focar mais naquilo que promove o concelho, como a cultura, o desporto, o turismo e a pesca”, apontou.

Espera um dia, “não tão longe”, ver o ex-campo de concentração do Tarrafal elevado à categoria de Património da Humanidade e o cais do porto requalificado.

Segundo disse, muitos dos turistas que por lá passam ressaltam que o lugar deveria ter uma outra dinâmica, oferecer mais conforto, e que as autoridades municipais e o Governo devem dar uma atenção especial para que a “história não morra”.

Para a jovem estudante Sara Léger comemorar 100 anos é uma data “grande e interessante”. Contudo, disse que os mais novos querem que este município continue a evoluir, apostando nas suas ofertas para atrair mais investidores e turistas.

“Temos de apostar no turismo, porque temos belas praias, o ex. Campo de Concentração do Tarrafal, e, tudo isso vai contribuir para que tenhamos mais lucro e desenvolvimento”, frisou.

“Tarrafal evoluiu muito”, defendeu a estudante Aldina Miranda justificando que antes não tinha escola, os jovens não tinham formação, mas que agora Tarrafal tem várias instituições de ensino.

Esta jovem apela a mais investimentos na juventude, nomeadamente, na criação de mais postos de trabalho, espaços desportivos e centros de diversão, para que os jovens possam ocupar o seu tempo livre de forma saudável e produtiva.

Pede ainda mais água para as famílias e mais energia eléctrica para as comunidades mais rurais do município.

Para os tarrafalenses abordados pela Inforpress, um dos grandes ganhos alcançados foi a estrada alcatroada, pois, hoje, chegar ao Tarrafal é bem mais fácil do que há meia dúzia de anos, e quase 98% das comunidades estão ligadas à rede eléctrica.

O município do Tarrafal foi criado a 25 de Abril de 1917, através do Decreto Lei nº 3108-B de 25 de Abril, provocando a sua desintegração do Concelho de Santa Catarina que, até 1912, tinha a sua sede na vila do Tarrafal, agrupando as freguesias de Santo Amaro Abade e São Miguel Arcanjo com sede na vila do Tarrafal.

Esta configuração administrativa permaneceu até 1997 quando foi desmembrado em dois municípios, Tarrafal e São Miguel.

Com 22 localidades, sendo dois urbanos (cidade de Mangue e Chão Bom) e 20 rurais, actualmente vive neste concelho cerca de 18 mil habitantes, sendo oito mil da localidade de Chão Bom.

É na cidade de Mangue que centra os edifícios da Câmara Municipal, da Igreja de Nhu Santo Amaro Abade, esquadra da Polícia Nacional, o mercado de artesanato e de cultura, o antigo cinema, a Baia Verde, escola Secundaria, entre outras grandes infra-estruturas.

Já Chão Bom, apesar de ser a localidade mais populosa do Tarrafal, segundo o historiador, José Soares é a mais pobre do concelho.

As principais actividades económicas exercidas pelos tarrafalenses são a agricultura, a pesca e o turismo.

AM/CP

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